Um jornalista britânico que havia sido sequestrado no Afeganistão foi libertado após uma incursão realizada por soldados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na madrugada desta quarta-feira, segundo informações das autoridades afegãs. Na operação, com o uso de helicópteros, um soldado britânico e dois civis afegãos morreram - um deles, o intérprete que trabalhava com o jornalista.

Stephen Farrell, repórter do jornal The New York Times, havia sido capturado no sábado em Kunduz, no norte do país, junto com o intérprete afegão Sultan Munadi.


Stephen Farrell, em foto de arquivo de 2007, já havia sido sequestrado no Iraque / AP

No site do diário americano, Farrell disse ter sido "retirado" por "vários soldados" após um intenso combate. "Tinha balas por todo lado. Eu ouvia vozes de britânicos e afegãos", afirmou.

Segundo o Farrell, o intérprete chegou a gritar "Jornalista! Jornalista!, antes de cair morto com uma rajada de balas. "Me enfiei em uma vala", disse. Momentos depois, ao ouvir vozes falando inglês, ele começou a gritar: "Refém britânico!".

O jornalista, que já havia sido sequestrado no Iraque, em 2004, então telefonou ao editor de Internacional do jornal e disse: "Estou livre!". Ele contou também ter ligado para sua mulher.

Reclamação

O diretor da Associação Afegã de Jornalistas Independentes, Rahimullah Samadar, disse à BBC que a incursão da Otan demonstrou que os soldados estrangeiros não se importam com os repórteres afegãos.

Segundo ele, esta não é a primeira vez que um jornalista afegão é morto após um sequestro, enquanto seu colega ocidental é libertado.

Munadi havia acabado de voltar ao Afeganistão para trabalhar em sua área, após concluir um mestrado na Alemanha.

Em um artigo recente publicado no New York Times, ele falou sobre a volta: "Se eu deixar este país, se outras pessoas como eu deixarem este país, quem vai vir para o Afeganistão? Será o Taleban, que virá para governar este país?", escreveu.

Bill Keller, editor-executivo do jornal, disse que sua equipe está "muito contente" pela libertação de Ferrell, mas "profundamente triste que o resgate tenha sido a este preço". Ainda não se sabe quem é o outro civil morto.

Farrell havia viajado a Kunduz para investigar um ataque aéreo lançado na sexta-feira pela Otan contra dois caminhões-tanques roubados por militantes do Taleban, que deixou vários civis mortos.

O britânico é o segundo jornalista do New York Times a se sequestrado no Afeganistão no espaço de um ano.

Em junho, o repórter David Rohde e um assistente afegão foram capturados em Cabul e levados até a fronteira com o Paquistão de onde conseguiram fugir.

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