Cairo, 29 set (EFE).- Os 11 turistas europeus e oito cidadãos egípcios que haviam sido seqüestrados no Egito no último dia 19 foram libertados hoje, graças a uma operação militar conjunta de Egito e Sudão que terminou com a morte de alguns dos seqüestradores.

Os reféns, cinco alemães, cinco italianos e um romeno, foram seqüestrados em uma região desértica no sudoeste do Egito, mas alguns relatos indicavam que haviam sido levados para Líbia e Sudão e, finalmente, segundo fontes oficiais sudanesas, foram libertados no Chade.

"Nenhum dos países (europeus) envolvidos pagou resgate", declarou aos jornalistas o ministro do Turismo egípcio, Zoheir Garana, no aeroporto militar dos arredores do Cairo, onde os reféns, que estavam com um aspecto saudável, foram recebidos hoje com saudações e flores.

Os cinco turistas italianos já retornaram a seu país esta noite, informaram fontes do aeroporto do Cairo.

Segundo as fontes mencionadas, os cinco turistas viajaram para Roma em um avião militar italiano que partiu do aeroporto da capital egípcia, onde estiveram com membros da embaixada italiana no Cairo e um delegado do Ministério egípcio de Turismo.

Também foram libertados oito cidadãos egípcios que acompanhavam os europeus em uma viagem pouco habitual nas rotas deste país, longe das pirâmides e dos sítios arqueológicos mais visitados.

O ministro do Turismo se recusou a fornecer detalhes sobre a libertação, que atribuiu às forças de segurança do Egito.

No entanto, fontes oficiais da capital sudanesa tentaram resolver o desconcerto que se manteve durante horas.

Em declarações à imprensa em Cartum, o porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores do Sudão, Ali Youssef, disse que desde sábado passado o grupo de seqüestradores estava sendo perseguido por forças militares de Egito e Sudão.

Ontem à noite, o seqüestro terminou com a morte de seis seqüestradores e a captura de outros dois.

As operações militares continuaram nas horas seguintes e, segundo Youssef, o resto do grupo conseguiu fugir e os reféns foram abandonados em território chadiano, a cerca de 30 quilômetros da fronteira com o Sudão.

A versão, no entanto, não foi confirmada por fontes oficiais egípcias. O Governo do Cairo não forneceu detalhes sobre o caso, especialmente depois de, dois dias após o seqüestro, um ministro anunciou por erro a libertação dos reféns.

A região onde se supõe que estiveram os turistas forma o limite entre Egito, Líbia e Sudão. O território chadiano está mais ao sul, mas, da mesma forma que nos países vizinhos, as fronteiras estão mais definidas por linhas no mapa que por postos de vigilância que garantam o controle fronteiriço.

A princípio, a informação era de que o grupo de seqüestradores pedia um resgate de 6 milhões de euros, mas outros valores chegaram a ser negociados. O contato preferido dos seqüestradores para negociar o resgate era a esposa alemã que falava por telefone com seu marido, um egípcio dono de uma agência de viagens.

O ministro de Turismo egípcio reiterou que, a partir desta experiência, a segurança das excursões de turistas será reforçada.

Entre os reféns havia um policial que acompanhava o grupo, como costuma ser freqüente neste país.

Com a resolução do caso, tiveram início as especulações políticas. O presidente sudanês, Omar Hassan Ahmad al-Bashir, responsabilizou rebeldes da região de Darfur, no oeste do Sudão, pelo seqüestro.

"Nós vínhamos advertindo há muito tempo que as ações dos movimentos rebeldes de Darfur afetariam também os países vizinhos", afirmou Bashir em declarações reproduzidas pela agência oficial egípcia "Mena".

Segundo o porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores do Sudão, os seqüestradores eram sudaneses e chadianos e os documentos encontrados com eles, segundo a agência oficial sudanesa, "provam que eram militantes do Movimento para a Libertação do Sudão".

A versão, no entanto, não só foi negada por rebeldes sudaneses, mas contrastada com a posição das autoridades egípcias, que reiteraram que os turistas foram seqüestrados por um grupo de criminosos sem vínculos políticas. EFE cai/ab/rr

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