Operação humanitária de tropas americanas no Peru é motivo de polêmica

A presença de tropas americanas para ações humanitárias no Peru, em uma região historicamente dominada pela guerrilha de Sendero Luminoso e o narcotráfico, abriu um debate sobre o risco de que as manobras poderiam atiçar a violência nos Andes peruanos.

AFP |

São, pelo menos, cem os militares americanos autorizados a entrarem armados no país a partir de 23 de maio para trabalhar na região de Ayacucho (sudeste), de acordo com a permissão do Congresso.

O Partido Nacionalista, de oposição, do ex-candidato presidencial Ollanta Humala, denunciou que a operação constitui "na realidade uma intromissão estrangeira direta na luta no Peru à subversão e aos narcóticos".

As manobras no Peru vão durar de 1 de junho a 30 de agosto e envolvem três ações cívico-humanitárias: "Novos Horizontes", "Amizade e Cooperação pelas Américas" e "Promessa Contínua", informou a embaixada americana em Lima.

"A operação periga envolver-nos na estratégia americana que busca justificar a intervenção militar em outros países, sob a denominada "guerra preventiva"", insistiu o partido de Humala.

As ações "podem significar maior e permanente presença militar no Peru devido ao risco de uma eventual baixa entre os soldados americanos", alertou ao ressaltar que Ayacucho é uma região em estado de emergência pela presença de grupos armados ligados ao narcotráfico e às guerrilhas.

Ayacucho é uma das zonas mais pobres do Peru e local de origem da guerrilha de Sendero Luminoso, responsável pelo mais cruel conflito interno peruano (1990-2000), que deixou 70.000 mortos, de acordo com a Comissão da Verdade.

A oposição nacionalista teme que o caso gere "uma perigosa oportunidade aos grupos subversivos e extremistas para declarar uma guerra de Libertação Nacional contra os Estados Unidos, agravando o conflito interno".

Atualmente ainda há remanescentes de Sendero Luminoso em Ayacucho, que vivem do narcotráfico, segundo autoridades peruanas. O último ataque ocorreu em março, quando uma coluna de rebeldes matou um policial e feriu 11 na região.

O Ministério da Defesa do Peru e a embaixada americana indicaram que "estas ações cívico-humanitárias têm o objetivo de treinar as Forças Armadas do Peru na condução de operações conjuntas".

As ações implicam apoio médico e de engenharia, construção de escolas, postos médicos, tanques de água e perfuração de poços de água, e organização para amparar a população em caso de desastres.

A operação "Novos Horizontes" foi aplicada anteriormente em novembro de 2006 no Peru, promovida pelo Comando do Sul dos Estados Unidos.

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