embaralha ideologia partidária em Israel - Mundo - iG" /

Operação em Gaza embaralha ideologia partidária em Israel

O recrudescimento do confronto entre Israel e o grupo palestino Hamas pôs a questão da segurança do país no topo absoluto das prioridades dos eleitores israelenses para as eleições gerais da próxima terça-feira e praticamente eliminou as diferenças de plataformas políticas, segundo mostram as propostas dos principais partidos políticos israelenses. Os líderes dos cinco principais partidos de Israel - incluindo os governistas Kadima e Partido Trabalhista e o oposicionista Likud, favorito no pleito do dia 10 - defendem o uso da força contra o Hamas.

BBC Brasil |

Somente os partidos árabes, que ficaram ameaçados durante a campanha de perder na Justiça o registro eleitoral, se posicionaram claramente contra a ofensiva israelense contra a Faixa de Gaza, batizada de "Chumbo Fundido".

A ofensiva militar de três semanas, iniciada no fim de dezembro, deixou mais de 1.300 palestinos e 13 israelenses mortos.

O objetivo da operação era interromper o lançamento de foguetes contra o território israelense a partir da Faixa de Gaza, controlada pelo grupo Hamas, que se opõe à existência de Israel.

Apesar das tréguas declaradas pelo Hamas e por Israel, o território israelense continua sendo alvo de disparos ocasionais de foguetes.

"A operação na Faixa de Gaza fortaleceu a evaporação das diferenças entre os principais partidos, mas esse processo já vinha acontecendo desde 2000", disse à BBC Brasil Asher Cohen, professor de Ciências Políticas da Universidade Bar Ilan.

"Desde o início da Intifada criou-se um consenso entre as principais forças políticas de Israel, de que não temos parceiro para a paz e que não devemos dialogar com o Hamas", afirmou Cohen.

"O apoio ao uso da violência contra o Hamas também é consensual, e depois da operação 'Chumbo Fundido' esse consenso tornou-se mais evidente ainda."
"Para o eleitor é difícil encontrar diferenças até na própria composição dos partidos, pois membros do Partido Trabalhista passaram para o Likud e para o Kadima, e figuras importantes do Likud entraram no Kadima, dificultando mais ainda a distinção entre os principais partidos", acrescentou o cientista politico.

Segundo as últimas pesquisas, o oposicionista Likud (direita) é o favorito para as eleições do dia 10 e poderá ver sua bancada no Parlamento crescer das atuais 12 cadeiras para 28 - de um total de 120 cadeiras.

A bancada do Kadima poderia cair de 26 para 23 cadeiras, segundo as projeções, enquanto o Partido Trabalhista poderia perder 2 dos seus atuais 19 deputados.

Os principais postulantes ao cargo de primeiro-ministro vêm dando declarações em defesa do uso da força contra o Hamas.

A líder do Kadima e atual ministra das Relações Exteriores, Tzipi Livni, afirmou que "a única resposta contra o terror é a força, e muita força".

O ministro da Defesa, Ehud Barak, líder do Partido Trabalhista, afirmou que "o Hamas recebeu um golpe muito duro na Operação Chumbo Fundido, e se necessário, vai receber mais um".

O líder do Likud, o ex-premiê Binyamin Netanyahu, disse que "a única resposta para o lançamento de foguetes será derrubar o regime do Hamas e fechar efetivamente a Faixa de Gaza para impedir que essa base terrorista volte a se armar".

Todas as pesquisas recentes apontam Netanyahu como o próximo premiê de Israel, à frente de uma coalizão de partidos de direita e religiosos.

O partido ultra-direitista Israel Beiteinu ("Israel é nosso lar"), liderado por Avigdor Liberman, é considerado o grande ganhador com a ofensiva à Faixa de Gaza.

Antes da ofensiva as pesquisas indicavam 11 cadeiras para o Israel Beiteinu, mas após as três semanas da operação essa projeção aumentou para 18.

De acordo com Liberman, "o cessar-fogo foi um erro e Israel não terminou o trabalho na Faixa de Gaza e deveria ter continuado a operação para eliminar o Hamas".

Se a tendência das pesquisas for confirmada nas urnas, o partido liderado por Liberman será o terceiro maior no Parlamento e obterá mais votos do que o Partido Trabalhista.

O quinto partido mais forte, o ultra-ortodoxo Shas, deverá obter 10 cadeiras, segundo as pesquisas, perdendo 2 das 12 que mantém atualmente.

O líder do partido, Eli Ishai, sugeriu "destruir cem casas em resposta a cada foguete que for lançado a partir da Faixa de Gaza, mesmo se o foguete cair no mar ou em áreas abertas e não causar danos".

"Só assim eles (os grupos palestinos) vão entender a mensagem e parar de lançar foguetes", declarou o líder do Shas.

Somente os três partidos que representam a minoria árabe-israelense defendem um diálogo para um cessar-fogo permanente entre Israel e o Hamas.

    Leia tudo sobre: gaza

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG