Operação de entrega de dois reféns colombianos é adiada

BOGOTÁ - O Comitê Internacional da Cruz Vermelha anunciou nesta segunda-feira que a missão de resgate de mais um refém que as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) prometeram colocar em liberdade foi adiada, sem a definição de uma nova data.

AFP |


O refém - o ex-governador do departamento de Meta, Alan Jara - deveria ser libertado nesta segunda-feira. Já a libertação do ex-deputado Sigifredo López estava marcada para quarta-feira.

"Está difícil de encontrar uma saída, mas faremos todo o possível para que isso aconteça logo. Mantemos nossas comunicações com a comissão civil, com o governo, e os contatos indiretos com as Farc. Faremos todo o possível", disse o porta-voz do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, Ives Heller.

Resgates no domingo

Após quase 12 horas de tensa espera, a primeira fase de uma operação de resgate complexa foi concluída no último domingo. A operação trouxe à liberdade quatro agentes públicos sequestrados pelas Farc em 2007.

Trata-se dos policiais Walter José Lozano Guarnizo, Alexis Torres Zapata e Juan Fernando Galícia Uribe, que eram membros da unidade antisequestros e averiguavam um rapto quando foram capturados no departamento (estado) de Caquetá, no sul do país.

O quarto colombiano que saiu do cativeiro é o soldado do Exército William Giovanny Domínguez Castro, capturado pelas Farc em 20 de janeiro de 2007 após um combate, também em Caquetá, no qual seus companheiros o deram como morto.


Soldado comemora a liberdade após dois anos sob poder da guerrilha

"Temos que lutar por todos os prisioneiros que estão nas selvas, temos que resgatá-los", gritou emocionado Torres Zapata, de 26 anos para os repórteres que durante horas aguardaram esse momento.

Todos agradeceram aos meios de comunicação por sua contribuição, mas sobretudo ao movimento Colombianos pela Paz, liderado pela senadora Piedad Córdoba, mediadora nesta operação humanitária.

Acorrentados

A missão de resgate de domingo foi a terceira libertação unilateral de reféns das Farc desde janeiro de 2008, ano em que o movimento sofreu duros golpes, como a morte de importantes líderes e a deserção de vários guerrilheiros.

O movimento Colombianos pela Paz foi encarregado de estabelecer um diálogo com a guerrilha por meio de cartas. Assim se chegou ao acordo para a libertação dos seis reféns desta semana.

"As libertações são o caminho mais curto para ir acabando com o conflito, e o governo deveria rever sua estratégia da via armada e pensar em estabelecer um canal de diálogo", afirma Ivan Cepeda, representante do movimento.

Em um relato semelhante aos depoimentos de outros reféns libertados pelo grupo guerrilheiro, o policial Walter José Lozano afirmou que as Farc mantêm os reféns acorrentados no cativeiro.

"São lamentáveis as condições em que as Farc mantêm os sequestrados: amarrados, pior do que se fôssemos animais, acorrentados no pescoço", afirmou Lozano, logo após ser libertado. "Não temos mobilidade para além de três metros."

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