Operação de 6 meses liderada por Uribe leva a resgate de reféns

Segundo o ministro de Defesa, Gabriel Silva, ação teve a participação de 300 soldados. Três reféns foram resgatados

iG São Paulo |

A "Operação Camaleão", como foi batizada a ação militar pela qual foram resgatados neste domingo na Colômbia três sequestrados em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), se desenvolveu sob a direção do próprio presidente Álvaro Uribe durante seis meses.

AFP
O ministro da Defesa da Colômbia, Gabriel Silva, concede entrevista e explica detalhes da operação de resgate de reféns
Em entrevista coletiva, o ministro de Defesa colombiano, Gabriel Silva, explicou que a surpreendente operação foi integrada por 300 soldados das forças de segurança e que no lugar onde aconteceu havia 40 guerrilheiros.

O ministro insistiu na "perfeição" da missão porque não houve "risco para a vida dos sequestrados e sem baixas" entre as forças militares. O resultado foi a libertação do general Luis Herlindio Mendieta, do coronel Enrique Murillo e do sargento Arbey Delgado, embora o Exército procure na região o capitão William Donato Gómez, os quatro em poder das Farc desde 1998.

Gómez foi visto por seus companheiros resgatados fugindo durante a operação, reconheceu o ministro, insistindo em que o militar será encontrado "nas próximas horas". "Foi também uma operação totalmente colombiana, por tropas e inteligência colombianas. Homens das forças especiais que durante semanas se arrastaram pelas selvas para chegar ali e dar este golpe contra o narcoterrorismo das Farc", acrescentou Silva.

Ao ser perguntado por maiores detalhes, Silva disse que "por razões de Estado" não podia compartilhar toda a informação porque seria colocar o inimigo em vantagem. "Tratou-se de uma operação de alta precisão, de forma cirúrgica se chegou ao local", acrescentou. Além disso, Silva confirmou que era a Sétima Frente das Farc a que tinha em seu poder os quatro sequestrados.

O ministro insistiu em que "a Segurança Democrática é o caminho correto para devolver a liberdade a todos os colombianos e isso evidência a alta moral da polícia e sua capacidade para realizar operações impecáveis, sem manchas e com pleno êxito". Ele explicou que os três resgatados estão protegidos em algum lugar da selva por 300 homens e que amanhã (segunda-feira) chegarão a Bogotá. Por último disse que a polícia colombiana "é a mais eficaz do continente e uma das mais eficazes do mundo", a uma semana do segundo turno das eleições presidenciais.

Neste sentido insistiu em que "o governo do presidente Uribe foi magnânimo em múltiplos ocasiões, não fez mais que dar um gesto de abertura, mandar sinais de sua disposição para conseguir a libertação dos sequestrados". Por isso exigiu das Farc "que soltem unilateralmente" os 19 reféns que a guerrilha considera passíveis de troca e que só está disposta a libertar em troca de guerrilheiros presos.

Conotação política

O resgate é visto como favorável à controvertida política de Segurança Democrática da administração Uribe e ao mesmo tempo a seu herdeiro político, o candidato presidencial Juan Manuel Santos, que disputará o segundo turno das eleições no próximo domingo.

A Segurança Democrática, que defende a saída militar e não negociada para o conflito armado na Colômbia foi responsável, após oito anos de governo, por debilitar as guerrilhas em todo o país e pelo incremento da segurança nas grandes cidades colombianas. Ao mesmo tempo, essa política é interpretada por analistas como a responsável pela violação de direitos humanos e de casos de execuções extrajudiciais.

Os candidatos presidenciais que disputarão o segundo turno das eleições no próximo domingo, Juan Manuel Santos, candidato governista à Presidência e seu opositor do partido Verde, Antanas Mockus, têm indicado não estar dispostos a negociar um acordo com a guerrilha, ao exigirem a libertação unilateral de todos os reféns em poder dos rebeldes.

Força para a candidatura governista

A ação militar deste domingo também é vista como o golpe de maior sucesso contra as Farc desde 2008, quando a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt foi resgatada de um acampamento guerrilheiro junto a outros 14 reféns.

Na época, o ministro de Defesa era o atual candidato governista à Presidência, que tem capitalizado o endurecimento das políticas de combate às guerrilhas a seu favor durante a campanha presidencial.

Santos, que disputará o segundo turno contra o ex-prefeito de Bogotá, Antanas Mockus, aparece como o favorito para vencer a disputa presidencial.

* Com EFE e BBC Brasil

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