Operação da coalizão liderada pelos EUA no Afeganistão mata 20 no Paquistão

Islamabad, 3 set (EFE).- Pelo menos 20 pessoas morreram hoje em um ataque na região tribal paquistanesa de Waziristão do Sul perpetrado por tropas da coalizão americana posicionada no Afeganistão, o que gerou protestos enérgicos do Governo e do Exército do Paquistão.

EFE |

Após cruzarem a fronteira, três helicópteros de combate atacaram esta madrugada o povoado de Angaorada, na região de Birmal, afirmou em comunicado o governador da Província da Fronteira Noroeste, Owais Ahmed Ghani, segundo a agência oficial "APP".

O governador, que acusou as "forças aliadas" posicionadas no Afeganistão pelo ataque, disse que há mulheres e crianças entre as vítimas.

"É degradante", protestou o governador, que destacou que o episódio é uma afronta à soberania do Paquistão e ameaçou dizendo que o Exército paquistanês irá defendê-la com a resposta "apropriada" a este tipo de ataque.

Os helicópteros aterrissaram na região e suas tropas revistaram várias casas, afirmam as versões oficiais.

Os corpos das vítimas e dos feridos foram transferidos para um hospital, enquanto os aldeães realizaram um protesto contra a incursão das forças estrangeiras, informou a emissora "Geo TV".

Em nota, o Exército comunicou que foram sete as vítimas "inocentes" contabilizadas e que dois helicópteros aterrissaram na região.

O porta-voz militar paquistanês Athar Abbas condenou "energicamente este assassinato", do qual acusou as forças da coalizão liderada pelos Estados Unidos no Afeganistão.

"Semelhantes atos de agressão não contribuem para a causa comum de luta contra o terrorismo e a insurgência na área", advertiu o porta-voz.

Abbas acrescentou que o Ministério de Assuntos Exteriores do Paquistão apresentou um protesto formal ao Governo americano e destacou que o Exército paquistanês se reserva "o direito de defesa própria e a represália para proteger seus cidadãos e soldados das agressões".

Em outro comunicado, a Chancelaria qualificou de "inaceitável" e de "provocação grave" o "assalto" a Angaorada.

Nesta nota o ministério responsabiliza as tropas da coalizão da Força de Assistência à Segurança (Isaf), sem distinguir entre a força sob comando dos EUA e as tropas da Isaf comandadas pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que incluem soldados americanos.

Segundo a Chancelaria, o ataque causou uma "imensa perda de vidas civis" e acrescentou que "tais ações são contraproducentes", pois "enfraquecem a base da cooperação" entre Paquistão e EUA para combater o terrorismo e a insurgência.

Em outra nota oficial, o primeiro-ministro do Paquistão, Yousuf Raza Gillani, condenou o ataque, que atribuiu a tropas da Isaf, e advertiu que "nenhuma força exterior pode se permitir atacar o território paquistanês".

"O Paquistão é um país soberano completamente capaz de combater os elementos terroristas e extremistas dentro de suas fronteiras", asseverou Gillani.

É em Waziristão do Sul que fica a base de operações do líder talibã Baitullah Mehsud, que dirige o movimento Tehreek-i-Taliban, que reúne grupos talibãs locais e que foi ilegalizado há nove dias pelo Governo.

Nos últimos meses, o Tehreek-i-Taliban reivindicou a autoria de vários atentados no Paquistão. EFE igb/wr/fal

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