'Operação cumprida', disse extremista norueguês ao ligar para polícia

Segundo jornal norueguês, fundamentalista telefonou para número de emergência para anunciar rendição e fim de ataque em ilha

iG São Paulo |

AP
O fundamentalista cristão Anders Behring Breivik, parcialmente visível atrás, no centro, é visto em veículo para prestar depoimento à polícia em Oslo em 29 de julho
"Breivik. Comandante. Envolvido na resistência anticomunista. A operação foi cumprida e me entregarei à força Delta." Essas são algumas das palavras com as quais o fundamentalista cristão anti-islâmico Anders Behring Breivik anunciou por telefone à polícia da Noruega que acabara de cometer um massacre na Ilha de Utoya.

Depois de abrir fogo contra membros da ala juvenil do governista Partido Trabalhista em um acampamento de verão na ilha de Utoya, deixando 69 mortos , o autor confesso, de 32 anos, ligou para o número de emergências da polícia, o 112, e disse essas palavras, segundo o jornal Verdens Gang (VG).

A ligação durou apenas três segundos, de acordo com a publicação. "Recebemos uma ligação do telefone de Behring Breivik, mas não temos confirmação de que era ele", declarou à AFP Henning Holtaas, porta-voz da polícia de Oslo. "Também não podemos confirmar o que disse", completou o porta-voz. Segundo o VG, a polícia não encontrou o telefone celular do extremista na ilha, informação que Holtaas não quis comentar.

Desde o momento em que recebeu a notificação do ataque em Utoya, em 22 de julho, a polícia demorou uma hora para deter Breivik - com uma força de intervenção especial chamada Delta. (Cronologia mostra erros da polícia enquanto extremista lançava ataques na Noruega)

Antes de atacar com um fuzil automático e uma pistola os jovens na ilha por 90 minutos , o extremista, que se declarou em uma cruzada contra o Islã e o multiculturalismo na Europa, detonou uma bomba que estava em uma caminhonete estacionada perto da sede do governo, deixando oito mortos.

Segundo a imprensa norueguesa, Breivik foi submetido a novo interrogatório nesta quarta-feira, o terceiro desde sua detenção após ter se rendido em Utoya . A polícia, porém, não confirmou a informação.

"Não desejamos comentar se está em interrogatório, mas podemos dizer que o fundamental em um eventual (terceiro) questionamento é que haverá confrontação", declarou o promotor da polícia Paal-Fredrik Hjort Kraby.

Exigências irreais

Na terça-feira, Geir Lippestad, advogado de Breivik, afirmou que ele fez exigências "irreais" para colaborar e dar informações sobre supostas células militantes de sua rede terrorista. Segundo o advogado, Breivik fez duas listas de exigências. Uma tem pedidos comuns entre presos, como cigarros e roupas de civis, mas a outra é "longe do mundo real e mostra que ele não entende como a sociedade funciona".

Uma das exigências é que seu estado mental seja avaliado por especialistas do Japão e da Noruega. "Ele afirma que os japoneses entendem a ideia e os valores ligados à honra e que um psiquiatra do Japão vai entendê-lo melhor do que qualquer europeu", disse.

O tribunal de Oslo já designou os psiquiatras noruegueses Synne Soerheim e Torgeir Husby para examinar Breivik, mas o advogado não soube dizer se o extremista se recusará a cooperar. Lippestad também confirmou outras exigências do extremista que já haviam sido divulgadas pela polícia, como a renúncia do governo e um cargo para ele como chefe militar.

*Com AFP

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