Operação continua à procura de corpos em pousada soterrada em Ilha Grande

São Paulo, 2 jan (EFE).- Equipes de resgate continuam hoje as buscas por vítimas entre as toneladas de barro e lodo deixadas por um deslizamento de terras provocado pelas chuvas em Ilha Grande, a 150 quilômetros da capital do Rio de Janeiro, com 26 corpos resgatados.

EFE |

A Defesa Civil confirmou à Agência Efe que durante o dia de hoje, com a pausa das chuvas, as equipes de resgate localizaram sete corpos, vítimas do desmoronamento que arrasou durante a madrugada de sexta-feira a pequena praia onde ficava a Pousada Sankay.

Além desse deslizamento, outra avalanche de terra foi registrada em Angra dos Reis, cidade continental à qual pertence Ilha Grande, e a apuração preliminar de vítimas deixadas pelos fortes e intensas chuvas na região já alcança os 37, segundo confirmou à Efe uma fonte das equipes de resgate na região.

Se somados os mortos registrados pelas intensas chuvas em todo o estado do Rio de Janeiro desde a última quarta-feira - quando os temporais começaram - o balanço parcial chega a 54 vítimas. Ao contabilizar as mortes no país, os números sobem para 72.

A maior tragédia atingiu Ilha Grande, uma pequena ilha de pescadores que nos últimos anos assumiu a vocação turística com a instalação de pequenos hotéis à beira de paradisíacas e isoladas praias.

Durante a madrugada do Ano Novo, toneladas de lodo e pedras desceram colina abaixo e arrasaram pelo menos cinco construções na praia do Bananal, onde ficava a Pousada Sankay, a mais castigada pela tragédia.

Outras cinco casas de moradores também foram atingidas pelo deslizamento, ao norte da ilha, de frente para o continente e ao pé de uma cadeia de montanhas com 200 metros de altura.

Até o momento, só oito corpos resgatados da ilha foram identificados, quatro de uma família de Minas Gerais, três de outra família de São Paulo e o da filha dos donos da pousada, que conseguiram escapar com vida, mas não conseguiram acordar a jovem que dormia no momento do acidente.

Segundo a Defesa Civil de Angra dos Reis, seis pessoas feridas foram retiradas da ilha. Uma delas, uma mulher de 42 anos, mãe de duas das vítimas, está hospitalizada com fraturas nas vértebras, mas não corre risco de morte.

O comandante da Marina, Rodolpho Marandino, coordenador dos militares integrados nas equipes de resgate, informou que são cerca de cinco embarcações e 600 militares que estão mobilizados em Angra dos Reis, tanto em Ilha Grande quanto no continente.

"Fornecemos alimentos para os bombeiros e diversos gêneros (comida, produtos de higiene e limpeza) para os desabrigados, e contamos também com o apoio de médicos e enfermeiros", explicou Marandino, em entrevista à "Agência Brasil".

Na ilha, diretamente ao pé do desastre trabalham ao redor de 120 pessoas: militares, bombeiros, policiais e, inclusive, vizinhos voluntários que ajudam nos trabalhos de remoção de escombros feitos por máquinas pesadas e cães farejadores.

No começo da manhã, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, visitou a ilha e contou que minutos antes recebeu uma ligação do presidente, Luiz Inácio Lula da Silva.

"Tivemos a oportunidade de conversar durante dez minutos, nos quais pude expor em detalhes as primeiras horas de trabalho, já com saldo de vítimas e o balanço de resgates e perspectivas", comentou Cabral.

Sensibilizado pela tragédia, o presidente, conforme relatou à Efe uma fonte de Presidência, ordenou ontem ainda a mobilização do Ministério de Integração Nacional, que fornecerá "todos os recursos necessários ao socorro e para as tarefas de normalização".

O corpo de bombeiros do Rio de Janeiro alertou que em Ilha Grande ainda há risco de novos deslizamentos de terra, por isso que as buscas estão sendo realizadas com cautela.

Em declarações à "Agência Brasil", o subcomandante dos bombeiros, o coronel José Paulo Miranda, disse que trabalham para "saber mais ou menos quantas pessoas estavam hospedadas em cada residência e quantos turistas estavam nas casas alugadas".

"Os relatórios que temos são que, infelizmente, há mais corpos enterrados", disse.

EFE az/dm

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