Opep mantém cota de produção e pede colaboração de concorrentes

Wanda Rudich. Viena, 22 dez (EFE).- A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) decidiu hoje, em Luanda, manter inalterada sua cota de produção conjunta de petróleo e pediu a seus principais concorrentes que cooperem para defender os preços da commodity.

EFE |

"Acredito que US$ 75 a US$ 85 (por barril) é um nível confortável", disse o secretário-geral da Opep, o líbio Abdallah El-Badri, em entrevista coletiva em Luanda, transmitida ao vivo pelo site do secretariado da organização.

El-Badri respondeu, assim, após o fim da 155ª conferência ministerial do grupo, uma pergunta sobre o valor do barril que a Opep deseja defender com sua decisão de manter vigente um dos maiores cortes de sua oferta, aprovado há um ano.

"Mais uma vez, a conferência decidiu manter os níveis atuais de produção de petróleo, por enquanto", afirmaram os ministros na declaração final da reunião.

Mas, além disso, após reiterar seu compromisso de agregar os cortes acordados há um ano, pediu a seus principais concorrentes que cooperem nestes esforços.

"Fizemos um pedido para convencê-los a trabalhar conosco em termos de controle da produção", confirmou o presidente da Opep em fim de mandato, o ministro de Petróleo angolano, José Maria Botelho de Vasconcelos.

"A restauração do equilíbrio do mercado é uma carga que os membros da Opep não podem levar sós", destaca a declaração.

Com a decisão de hoje, válida pelo menos até 17 de março, quando o Conselho de Ministros da Opep voltará a reunir-se, em Viena, o grupo de 12 países que controla cerca de 40% da produção mundial fecha um dos piores anos em termos de consumo da commodity.

Pela primeira vez desde 1982 a demanda mundial por petróleo caiu pelo segundo ano consecutivo.

O resultado da reunião extraordinária na Angola foi o que os mercados esperavam, onde o barril do Brent e do Petróleo Intermediário do Texas (WTI, leve) eram negociados hoje em torno dos US$ 73 por barril.

O barril de petróleo da Opep era vendido na segunda-feira por US$ 71,88.

Há um ano, os preços do petróleo tinham caído para menos de US$ 35, desabando de seus máximos de quase US$ 150 em julho de 2008, por causa da crise econômica mundial. A Opep reagiu com um acordo para retirar 4,2 milhões de barris diários (mbd) do mercado.

Com essa redução, a cota conjunta de 11 dos 12 países-membros da Opep - todos menos o Iraque - ficou em 24,84 mbd a partir de 1º janeiro de 2009 e agora vai completar mais de um ano sem mudança alguma.

Mas a disciplina interna afrouxou nos últimos meses e o corte vigente foi cumprido em novembro somente em cerca de 60%.

Os analistas advertem que o encarecimento do petróleo não está sustentado por um equilíbrio entre a oferta e a demanda, já que a primeira ultrapassa a segunda amplamente e levou a um considerável armazenamento de barris nos estoques tradicionais, assim como em navios.

A situação representa um risco permanente para os preços do petróleo, que, nos últimos meses, foram determinados pelo comportamento das bolsas e do valor do dólar, dois fatores que estão fora do controle dos países produtores.

Segundo cálculos divulgados hoje pela assessora JBC Energy, a demanda por petróleo da Opep se situará no ano que vem em 28,79 mbd, um volume inferior aos 29,3 mbd do bombeamento do grupo - incluído o Iraque - em novembro.

"Portanto, sem uma alta da demanda maior que a esperada ou um melhor cumprimento (do corte), dificilmente se materializará nos próximos trimestres uma melhora da relação entre a oferta e a demanda que reduza o nível dos estoques", advertiu a JBC.

Após a reunião, o Equador assume a Presidência rotativa da Opep por um ano, que coincide com o 50º aniversário da organização, fundada em setembro de 1960 em Bagdá. EFE wr/pd

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