Onze mortos em aparente ataque americano contra madrassa no Paquistão

Onze pessoas morreram nesta quinta-feira em uma zona tribal paquistanesa localizada na fronteira com o Afeganistão quando vários mísseis, provavelmente disparados por aviões não-tripulados norte-americanos, caíram em uma madrassa (escola religiosa muçulmana) de um comandante talibã, indicaram fontes de segurança.

AFP |

Aparentemente, o ataque tinha como alvo o veterano miliciano islâmico Jalaludin Haqani, um importante membro talibã procurado pelos Estados Unidos, e poderá se tratar da última de uma série de operações militares norte-americanas em solo paquistanês, que arranharam as relações entre Islamabad e Washington.

O ataque ocorreu horas depois de o Parlamento paquistanês ter adotado uma resolução que exige um exame urgente da política antiterrorista com o objetivo de iniciar negociações com os fundamentalistas e defender a soberania do país.

Os funcionários de segurança disseram que a madrassa atacada foi fundada por Haqani nas imediações de Miranshah, na região do Waziristão Norte, nos anos 80, durante a jihad contra as forças soviéticas no Afeganistão.

A escola era dirigida atualmente por um dos comandantes de Haqani, o mulá Mansur, e recentemente havia sido usada como albergue para "estudantes internacionais e locais".

"Dois aviões-espiões dispararam três mísseis contra a madrassa do mulá Mansur. Onze pessoas morreram no ataque com mísseis", disse um autoridade de segurança à AFP.

"Os moradores procuram por mais corpos entre os escombros", acrescentou.

Um ataque semelhante contra uma residência de Haqani no dia 8 de setembrou tirou a vida de 23 pessoas, incluindo membros de sua família.

Haqani foi um dos líderes de maior destaque da luta contra os soviéticos entre 1978 e 1989. Depois se aliou ao mulá Omar, principal líder do regime talibã que governou o Afeganistão entre 1996 e 2001, quando foi derrubado por uma intervenção militar internacional liderada pelos Estados Unidos.

Desde a queda desse regime, Haqqani se tornou um dos dirigentes talibãs mais ativos, lançando ataques contra as tropas estrangeiras no Afeganistão de seu refúgio no Paquistão.

Seu filho Sirajuddin, também comandante da milícia fundamentalista, visitava com freqüência a madrassa atacada nesta quinta-feira, explicou à AFP um alto dirigente das forças de segurança.

O Exército paquistanês disse que estava averiguando o ocorrido. "Estão sendo reunidos detalhes sobre o número exato de vítimas" do "incidente", disse à AFP o porta-voz das Forças Armadas, o tenente-general Athar Abbas.

Segundo testemunhas, todas as vítimas eram membros de tribos locais.

Nem a coalizão militar liderada pelos Estados Unidos no Afeganistão nem a CIA (Agência Central de Inteligência), que dispõem de aeronaves não-tripuladas capazes de disparar mísseis, confirmaram o ataque.

str-mmg/dm

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG