Onze empresários italianos com conexões com a Camorra, a máfia que opera em Nápoles (sul da Itália), foram presos nesta quarta-feira por terem enterrado lixo comum e dejetos industriais - alguns tóxicos - ilegalmente, anunciou a polícia.

Os empresários, que trabalhavam na zona de Caserta, foram presos por ordem do tribunal anti-máfia de Nápoles e acusados de cometer "crimes contra o meio ambiente" e de "associação mafiosa".

Os acusados enterravam clandestinamente os dejetos em depósitos - até mesmo em terrenos agrícolas - diferentes tipos de lixo, por preços muitos mais baixos do que os cobrados pelas empresas do setor.

Os onze foram acusados de conexões com o "clã dos Casalesi", a família mafiosa mais poderosa da região de Caserta.

Durante a operação, 45 apartamentos, várias mansões e inúmeros locais e terrenos que pertenciam aos empresários foram avaliados, por um valor total de cerca de 40 milhões de euros.

As prisões foram possíveis graças a declarações de vários mafiosos que colaboram com a justiça.

A Camorra, que possui 5.000 membros em Campania (região de Nápoles), é uma das responsáveis por ter tornado, há cerca de 20 anos, os depósitos de lixo um negócio muito lucrativo.

Graças a cumplicidade e ineficácia das administrações locais e sem levar em consideração os efeitos nocivos sobre a saúde da população, as empresas encarregadas de recolher o lixo saturaram todos os depósitos existentes, gerando ciclicamente uma crise com toneladas de dejetos acumulados pelas ruas de Nápoles.

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