OnuAids reconhece os avanços na atenção aos pacientes com Aids na América Latina

A América Latina conseguiu importantes avanços no atendimento a pacientes com o vírus HIV e em campanhas de prevenção da doença, apesar de o Caribe continuar sendo uma região de alto risco, advertiu nesta sexta-feira o diretor-geral da agência da ONU para o combate à Aids (OnuAids), Peter Piot, falando durante a sessão inaugural de uma conferência ministerial na qual participam 33 países da região.

AFP |

"Em muitos países da região há um acesso médio universal aos serviços e tratamentos médicos (para pacientes com HIV). Realmente eu os parabenizo, são uma inspiração para outras regiões do mundo porque demonstram que isso é possível", afirmou Piot.

A América Latina, onde os portadores do vírus HIV da Aids sofrem com a discriminação e o preconceito, além do problema de acesso aos medicamentos necessários, será pela primeira vez palco de uma conferência mundial sobre o assunto, de 3 a 8 de agosto na Cidade do México.

Segundo as últimas cifras de OnuAids, na América Latina vivem 1,7 milhão de seropositivos, dos quais 47.000 são crianças e 400.000 adolescentes entre 14 e 24 anos.

Pelo menos 22.000 pessoas participarão na XVII Conferência Internacional sobre a Aids, entre elas pesquisadores, médicos, dirigentes, associações e portadores da doença. O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon e a diretora-geral da Organização Mundial da Saúde estarão presentes.

Além do encontro de especialistas, será realizada uma caminhada noturna em prol da luta contra a Aids e a discriminação.

Segundo a ONUAIDS, a epidemia de Aids registra uma queda no número de mortos e de pessoas recentemente infectadas, mas seu nível continua inaceitável e seu futuro, incerto,

A queda da mortalidade a dois milhões de pessoas, avanços "consideráveis" em alguns países contrabalanceados por um agravamento da situação em outros, créditos multiplicados por seis para os países pobres desde 2001: estas são as estatísticas publicadas esta semana pelo organismo especializado da ONU, referentes a 147 dos 192 países da ONU.

Mas a melhora é lenta. O número de pessoas que vivem com o HIV está aumentando devagar, graças às terapias que prolongam a vida dos portadores, mas a infecção está longe de ser eliminada. Apesar de, desde 2001, o número de novos casos ter passado de 3 milhões para 2,7 milhões, ou seja, uma queda de 10% em seis anos.

A África Subsaariana, onde apenas um terço das pessoas que precisam têm acesso a tratamento (45% a mais do que há dois anos), continua sofrendo. A Aids é a causa maior da mortalidade e 12 milhões das crianças são órfãs da Aids. A expectativa de vida é inferior a 40 anos no Zimbábue.

A prevenção vem ganhando espaço no território, e notamos em alguns países mudanças do comportamento sexual: recursos mais freqüentes ao preservativo entre os jovens com vários parceiros, aumento da idade nas primeiras relações. Assim, em Camarões, o percentual de jovens que tiveram as primeiras relações antes dos 15 anos passou de 35% para 14%.

Em contrapartida, as taxas de novas infecções pelo vírus HIV estão aumentando em outros países do mundo, como a China, o Quênia, a Rússia e o Vietnã.

Fora da África Subsaariana, a infecção atinge essencialmente os consumidores de drogas injetáveis, assim como as prostitutas e os homossexuais.

A Aids provoca uma mobilização "sem precedentes", ressaltou a Onuaids. "O mundo possui hoje os meios de prevenir os novos casos de infecção, de reduzir a doença e a mortalidade associada ao HIV, e de atenuar os efeitos nefastos da doença entre as famílias, as comunidades e as sociedades", afirmou o relatório.

Mas os ganhos em vidas humanas "não devem nos empurrar à auto-satisfação", destacou Piot.

Estamos longe de realizar o compromisso dos países da ONU dando a todos um acesso à prevenção e ao tratamento em 2010, ou seja reverter os rumos da doença daqui a 2015.

É preciso vontade política, disse a OnuAids, e também mecanismos inovadores e duradouros de financiamento, com uma insistência particular sobre a prevenção.

Em 2007, mais de 10 bilhões de dólares foram colocados à disposição dos programas sobre a Aids. Para continuar melhorando o acesso aos cuidados como hoje, precisaríamos de 50% a mais. Já o acesso universal aos tratamentos e à prevenção custariam mais de 42 bilhões de euros. No México, este deve ser um assunto muito discutido.

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