ONU: Um terço da cocaína consumida na Europa passa pela África Ocidental

Viena, 28 out (EFE).- A ONU lançou um alarme porque um terço da cocaína consumida na Europa transita pela África Ocidental e pelo fato de o dinheiro dos narcotraficantes latino-americanos ameaçar a segurança de todo o oeste africano.

EFE |

Ao todo, pelo menos 50 toneladas de cocaína passam pelo continente africano rumo à Europa todos os anos transportadas da América Latina até a África em navios e aviões, informou o Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC, em inglês) em relatório divulgado hoje.

Esta droga vale US$ 2 bilhões no mercado europeu, dinheiro que tem um poder corruptor enorme em uma região com alguns dos países mais pobres do mundo.

Caso no passado o dinheiro dos diamantes tenha financiado guerras civis sangrentas em países como Serra Leoa e Libéria, a cocaína poderia ocupar o lugar da pedra preciosa, com a diferença de que o volume de dinheiro movimentado pela droga é muito maior e supera o orçamento de muitos países.

"A ameaça está se espalhando pela região, a Costa do Ouro está se transformando no litoral da cocaína", afirmou o diretor-executivo da UNODC, Antonio Maria Costa.

Nos últimos três anos a quantidade de cocaína apreendida na região dobrou a cada ano, passando de 1,323 tonelada em 2005 para quase 6,5 toneladas em 2007, embora esta quantidade seja apenas a "ponta do iceberg", já que a maior parte das apreensões aconteceram por acaso, explicou Costa.

A ONU teme que um grande número de antigas "crianças-soldado" e jovens com experiência paramilitar em algumas das dezenas de guerrilhas que existiram na região nos últimos dez anos poderiam se ver tentadas pelo dinheiro da droga.

O diretor-executivo da UNODC solicitou aos países da região uma maior cooperação, que reforcem a Justiça e que acabem com a corrupção, "que está se infiltrando nas estruturas do país", além de rogar ajuda internacional para deter a atividade dos narcotraficantes.

Guiné-Bissau, que acaba de sair de um sangrento conflito civil, é o exemplo da impotência das autoridades: não existe nenhuma prisão no país, possui apenas 60 agentes para a luta contra o narcotráfico, há apenas um veículo policial e muitas vezes não há combustível para se deslocar, diz a ONU.

Esta situação precária faz com que os narcotraficantes cheguem muito facilmente à Guiné-Bissau com sua mercadoria em navios ou de avião pelo interior, já que o país não tem força aérea.

Esta região é uma das que mais enviam cocaína à Europa, especialmente para Reino Unido e Espanha, os maiores mercados e centros de distribuição para todo o continente europeu.

Desde 2004, já foram interceptadas pelo menos 1.357 pessoas que levavam drogas enquanto viajavam com destino à Europa. EFE ll/wr/fal

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