ONU tenta agilizar distribuição de ajuda diante do risco de desordem

Joaquim Utset. Nações Unidas, 15 jan (EFE).- A ONU tenta agilizar a distribuição da ajuda que chega ao Haiti, diante do temor que os milhões de desabrigados gerem desordens passados três dias do terremoto em que estão vivendo sem água e alimentos em Porto Príncipe, disseram hoje responsáveis do organismo.

EFE |

Asseguraram que são conscientes que as dificuldades para fazer chegar às vítimas os carregamentos de assistência que se acumulam no aeroporto da capital haitiana podem elevar a tensão no país.

Grande parte dos 3 milhões de habitantes de Porto Príncipe e das áreas contíguas precisa de alimentos, água, refúgio e assistência médica desde que ocorreu o terremoto na última terça-feira.

"A distribuição é um problema, e é uma gota no oceano. Sabemos e compartilhamos a impaciência, mas há limitações para a distribuição por falta de caminhões, combustível e o bloqueio das estradas", disse o subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, John Holmes, em entrevista coletiva.

O diplomata britânico ressaltou que são conscientes da "frustração" dos sobreviventes da catástrofe, que dormem precariamente expostos às intempéries.

Informou ainda que as autoridades haitianas e destacamentos da missão de estabilização da ONU no país (Minustah) retiraram até o momento 9 mil corpos das ruas.

Conforme Holmes será feito um esforço para preservar os corpos que tiverem capacidade, mas já foram cavadas valas comuns para enterrar os mortos.

Esclareceu que, por enquanto, não ocorreram incidentes graves de ordem pública e desmentiu informações anteriores sobre saques em armazéns do Programa Mundial de Alimentos (PMA).

"Não foram saqueados. É uma informação incorreta, estão intactos.

O que há é dificuldade para chegar a estes locais devido às dúvidas sobre sua estabilidade", apontou.

Até o momento essa agência humanitária da ONU conseguiu levar alimentos somente a 8 mil pessoas, mas espera contar nos próximos 15 dias com porções para 1 milhão.

Diante do aumento da tensão em Porto Príncipe, os responsáveis da Minustah reforçaram as patrulhas militares e policiais que garantem a segurança na capital haitiana, disse o porta-voz da ONU, Martin Nesirky.

Ao mesmo tempo, assinalou que a Polícia Nacional Haitiana tenta se reorganizar, depois que o tremor desarticulou totalmente a sua presença nas ruas.

Nesirky também comentou que continuam os esforços para encontrar sobreviventes entre os escombros da sede de Minustah, que sucumbiu por causa do terremoto, e na qual podem estar mais de cem de empregados do organismo.

"Obviamente, as perspectivas não são muito boas", admitiu o porta-voz, reconhecendo que a probabilidade de encontrar pessoas com vida se reduz drasticamente passadas 72 horas.

Até o momento, a organização multilateral confirmou a morte de 36 integrantes da Minustah, entre policiais, militares e civis, além de um empregado do PMA.

Nas próximas horas, a ONU apresentará aos países doadores uma solicitação de ajuda urgente de US$ 560 milhões, US$ 10 milhões a mais do que inicialmente havia previsto o organismo.

O pedido inclui recursos para a distribuição de água, alimentos, barracas de acampamento, serviços sanitários e atendimento médico durante seis meses, assim como para necessidades de médio prazo, como a reconstrução de infraestruturas, explicou Holmes. EFE jju/dm

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