ONU teme que pacto climático gere migração de emprego

DALIAN - O mundo deve evitar que o futuro tratado climático a ser adotado em dezembro em Copenhague estimule a migração de empresas e postos de trabalho para países com metas menores de redução das emissões de gases do efeito estufa, disse nesta quinta-feira o principal responsável da ONU para essas discussões.

Reuters |

Nos EUA, por exemplo, muitos parlamentares temem que a adoção de metas ambiciosas para a redução das emissões dê vantagens competitivas às indústrias chinesas.

"Há uma enorme preocupação da parte dos empregadores e sindicatos nos Estados Unidos de que um acordo que distorça as relações econômicas irá ter um efeito nocivo sobre a economia dos Estados Unidos", disse Yvo de Boer, secretário de assuntos climáticos da ONU, que participa na China de um evento do Fórum Econômico Mundial.

"O desafio é moldar um caminho à frente em Copenhague, moldar um acordo que não resulte em mudança da atividade econômica de um país para outro. Isso, afinal de contas, não faz sentido", acrescentou.

Mas ele acrescentou que a solução não seria impor tarifas que reflitam as emissões de carbono em produtos importados, como nos setores de siderurgia e petroquímica, conforme defendem os EUA para reduzir os benefícios de países que eventualmente fiquem sem limites às emissões.

"Pessoalmente não acho muito construtivo que, quando ainda nem chegamos a Copenhague para tentar buscar um acordo, já se ameace o que irá acontecer se o acordo de Copenhague fracassar."

Pelo Protocolo de Kyoto, atualmente em vigor, a China e outros países em desenvolvimento não precisam se comprometer com reduções nas emissões de dióxido de carbono e outros gases, ao contrário do que ocorre com países desenvolvidos.

Pequim teme que as nações industrializadas tentem conter o crescimento econômico chinês exigindo que o país adote limites rígidos nas emissões ou imponham as chamadas "tarifas do carbono".

Há uma corrente nos EUA que acha que o país só deveria aceitar reduções compulsórias das suas emissões se a China também aceitar, mas De Boer disse que é preciso ser "realista" a respeito da mudança climática.

"Sabemos que o grosso dos gases do efeito estufa na atmosfera está aí por causa dos países industrializados, e por isso os países industrializados têm de assumir a responsabilidade e agirem primeiro".

"A China já está adotando metas... para a eficiência energética industrial, para os recursos renováveis, para a eficiência dos prédios e para as cidades sustentáveis. A China já está fazendo bastante, e a China irá construir em cima disso para o futuro", acrescentou.

De Boer também defendeu uma ampliação significativa do chamado Mecanismo do Desenvolvimento Limpo, que permite aos países desenvolvidos incluírem na contabilidade da sua meta de reduções investimentos que forem feitos em projetos de energia limpa no Terceiro Mundo, num sistema de créditos comercializáveis.

A União Europeia propõe um sistema alternativo, em que os créditos sejam concedidos também a setores que superem suas metas de redução. A China teme que isso seja uma forma furtiva de impor restrições adicionais às emissões.

"O que tem acontecido no debate internacional, infelizmente, é que os países em desenvolvimento têm visto a discussão sobre abordagens setoriais como uma forma de tentar induzi-los a colocar uma porção da sua economia sob uma meta quantificada", afirmou. "Isso basicamente azedou um debate que poderia potencialmente ser do interesse de todos".

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