ONU teme graves conseqüências sociais devido a preços de alimentos

Genebra, 15 abr (EFE) - Diferentes agências da ONU alertaram hoje para graves conseqüências decorrentes do aumento mundial dos preços dos alimentos e disseram que estão extremamente preocupadas com este fenômeno, que já causou distúrbios em diversos países em desenvolvimento. A porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Veronique Taveau, disse que a situação é extremamente preocupante para esta entidade. Existem 3,5 milhões de crianças que morrem a cada ano por desnutrição. O aumento do preço do arroz, por exemplo, faz com que as famílias tenham que reduzir seu orçamento para comida, o que pode agravar a situação destes menores, advertiu Taveau.

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Para o Unicef, a atual crise alimentícia também provoca "um risco muito grande de que as famílias de países pobres tirem as crianças da escola, porque estas precisarão trabalhar. Esta situação seria crítica", acrescentou a porta-voz, em entrevista coletiva.

Para Taveau, a atual crise remete à expressão "bomba de efeito retardado".

A situação também começa a ganhar contornos dramáticos para o Programa Mundial de Alimentos da ONU (PMA), que verificou nos últimos meses que precisa de muito mais fundos para poder dar assistência ao mesmo número de pessoas.

"Do dinheiro que recebemos em 2007, 80% foram usados para comprar comida nos próprios países onde seria distribuída. Fazer compras localmente é uma estratégia para reduzir o impacto da alta dos preços de alimentos e do combustível", disse a porta-voz do PMA, Christiane Berthiaume.

Entretanto, Berthiaume alertou que se deve ter cuidado com esse tipo de comportamento.

"O PMA compra enormes quantidades de alimentos e deve ajudar a economia do país, não provocar um impacto negativo nos preços. Por isso, é preciso encontrar um equilíbrio muito delicado", explicou a porta-voz do programa.

Berthiaume lembrou que o orçamento total do Programa para este ano é de US$ 3,4 bilhões - isso depois de um pedido urgente de US$ 500 milhões de verba extra -, para alimentar 73 milhões de pessoas em 80 países.

"Até agora, recebemos pouco mais de US$ 800 milhões, mas é óbvio que precisamos de mais", acrescentou a porta-voz do PMA.

"Se não recebermos até o início do segundo semestre de 2008, teremos que adotar medidas muito dolorosas, como reduzir o número de beneficiados ou diminuir as porções. Esperamos não chegar a esse ponto", advertiu Berthiaume.

A porta-voz do PMA disse que foi possível manter até agora a assistência a todos os beneficiados mediante estratégias como as compras locais de alimentos, assim como com "mudanças na dieta". Um exemplo disso, segundo ela, é o fim da compra de carne ou peixe enlatado.

Berthiaume ilustrou a atual crise ao explicar que, se nos países ricos uma família dedica aproximadamente 15% de sua renda à comida, no mundo em desenvolvimento esta proporção pode alcançar os 60%, 70% e até 75% do orçamento familiar.

"Por isso, fica fácil de imaginar o que um aumento do preço dos alimentos representa para este orçamento familiar", insistiu a porta-voz do PMA.

Berthiaume lamentou que, como conseqüência da alta de preços, o Programa tenha sido obrigado a encerrar seu programa de alimentação escolar no Camboja, um dos países onde já ocorreram os chamados "distúrbios da fome".

"Havia contratos com empresas que vendiam alimentos, mas elas rescindiram os acordos porque podem comercializar seus produtos por preços mais altos em outros lugares", contou a porta-voz do PMA.

O programa de alimentação escolar no Camboja atende atualmente 450 mil crianças, para muitas das quais a refeição na escola era a única equilibrada do dia. EFE vh/bba/db

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