NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - Há evidências de que tanto o Exército israelense como militantes palestinos cometeram crimes de guerra, e possivelmente crimes contra a humanidade, durante o conflito recente na Faixa de Gaza, informou a Organização das Nações Unidas (ONU) na terça-feira. A missão concluiu que ações equivalentes a crimes de guerra, e possivelmente em alguns aspectos a crimes contra a humanidade, foram cometidas pela Força de Defesa de Israel, disse o investigador da ONU Richard Goldstone a jornalistas.

Um sumário do seu relatório de quase 600 páginas sobre as conclusões da missão de inquérito também afirma que o disparo de foguetes por militantes palestinos onde não havia alvos militares também seria um crime de guerra e, possivelmente, um crime contra a humanidade.

Israel reagiu rapidamente, dizendo em um comunicado divulgado por sua missão diplomática em Genebra os motivos pelos quais não cooperou com a investigação de Goldstone.

"Seu mandato foi claramente unilateral e ignorou os milhares de ataques com mísseis (de militantes palestinos) contra civis no sul de Israel que tornaram necessária a operação em Gaza," disse o comunicado.

Goldstone recomendou ao Conselho de Segurança da ONU que exija que Israel investigue os possíveis crimes cometidos por suas forças "de forma independente e em conformidade com os padrões internacionais" e estabeleça um comitê de especialistas em direitos humanos para monitorar esses procedimentos.

Caso Israel não faça isso, o conselho formado por 15 nações deveria reportar a situação de Gaza ao promotor da Corte Criminal Internacional em Haia, de acordo com o sumário.

Um grupo israelense de direitos humanos, B'Tselem, afirmou em relatório na semana passada que dos 1.387 palestinos mortos no conflito, 773 eram civis.

Já de acordo com Israel, 709 combatentes, 295 civis e 162 pessoas sem status definido foram mortas. Treze israelenses --dez soldados e três civis-- morreram.

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