ONU tem 36 mortos e 200 desaparecidos no Haiti

NAÇÕES UNIDAS - A Organização das Nações Unidas (ONU) confirmou nesta quinta-feira a morte de pelo menos 36 funcionários após o desabamento da sede da instituição no Haiti e de outros prédios por causa do terremoto desta terça-feira.

iG São Paulo |

Entre os mortos estão quatro policiais da ONU, 13 funcionários civis e 19 militares, disse a jornalistas o alto representante da ONU David Wimhurst. "Infelizmente, devemos esperar... devemos iniciar a recuperação de mais corpos", afirmou de Porto Príncipe.

AFP
NONO

Construções destruídas no Haiti

Em Genebra, a porta-voz do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, Elisabeth Byrs, afirmou que até 200 funcionários estrangeiros da Organização das Nações Unidas no Haiti, incluindo integrantes da força de manutenção da paz, continuam desaparecidos após o terremoto.

O diplomata brasileiro Luiz Carlos da Costa, funcionário da ONU e segundo civil mais importante na hierarquia da missão de paz no Haiti, continua desaparecido. "Ainda não recebemos uma comunicação oficial (sobre o brasileiro)", disse o diretor do Centro de Informação da ONU no Brasil, Giancarlo Summa.

O paradeiro de haitianos empregados pelas Nações Unidas é desconhecido e também é motivo de preocupação, acrescentou.

Na quarta-feira, o presidente haitiano, René Préval, anunciou que o chefe da Minustah no Haiti, Hedi Annabi, morreu no terremoto.

A Minustah emprega quase 11 mil pessoas - 9 mil soldados e policiais e 490 funcionários civis estrangeiros, além de haitianos, disse a porta-voz chefe da ONU em Genebra, Corinne Momal-Vanian.

Além disso, várias centenas de funcionários internacionais trabalham para agências de assistência da ONU, incluindo o Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Tragédia para a ONU

"Essa é uma tragédia não apenas para o povo haitiano, mas também para a ONU", disse Byrs à imprensa. "A prioridade é salvar vidas, tirar pessoas dos escombros e tratar os feridos. Cada hora conta."

Cerca de 16 equipes de buscas e resgate estão se dirigindo ao Haiti "num fluxo enorme de solidariedade da comunidade internacional", acrescentou.

O aeroporto da capital Porto Príncipe está aberto para voos humanitários, mas apenas com aterrissagens visuais, já que a torre de controle aéreo foi danificada pelo terremoto.

O porto também não está em estado operacional, já que guindastes foram destruídos, o cais foi danificado e há destroços submersos na água, criando perigo potencial para navios de carga dos EUA que estão a caminho do Haiti, disse Byrs.

O Programa Mundial de Alimentos da ONU está verificando se alimentos de seus armazéns foram saqueados, disse Charles Vincent, diretor do escritório da agência em Genebra.

A agência espera na quinta-feira distribuir comida para 2,4 mil pessoas em Porto Príncipe - "uma gota d'água em um balde, mas um começo", disse ele.

"A maioria da população não comeu nada durante o dia inteiro de ontem. Por isso, o receio é de insegurança, e obviamente a Minustah vai tentar controlar essa situação", acrescentou.

*Com informações da Reuters

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