Gaza, 24 abr (EFE) - A ONU suspendeu hoje o envio de alimentos à Faixa de Gaza após ficar sem combustível devido ao rígido bloqueio que Israel mantém na região.

A Agência da ONU para os Refugiados Palestinos (UNRWA) foi obrigada a "suspender a ajuda humanitária a mais da metade da população de Gaza devido a uma crise de gasolina", indicou hoje a organização em comunicado.

Na quarta-feira, o chefe de operações da UNRWA em Gaza, John Ging, advertiu de que o combustível acabaria hoje e que não poderia continuar com as atividades que precisavam de transporte rodoviário se Israel não retomasse o fornecimento regular de combustível.

Segundo Ging, cerca de um milhão de refugiados palestinos não poderão receber assistência básica ou ajuda alimentícia fornecidas até agora pela UNRWA e pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA).

Israel é o único abastecedor de combustível a Gaza, mas interrompeu os envios no dia 9 depois que milicianos palestinos mataram dois civis israelenses em um ataque na passagem fronteiriça de Nahal Oz, um dos pontos de entrada de combustível.

Em outubro, o Executivo israelense já tinha aprovado reduzir parcialmente o fluxo de combustível derivado de petróleo e eletricidade a Gaza após declarar a faixa "território inimigo".

Funcionários palestinos advertiram na quarta-feira de que a principal usina de eletricidade de Gaza pararia de funcionar por falta de combustível, pelo que as autoridades israelenses autorizaram a entrada hoje de um milhão de litros, o que permitirá à fábrica funcionar por pelo menos três dias.

No entanto, a entrada de gás, gasolina ou outro tipo de combustível para o transporte ou consumo interno continua suspensa.

O comissário europeu para o Desenvolvimento e a Ajuda Humanitária, Louis Michel, fez hoje um apelo a Israel para que garanta a provisão de combustível a Gaza.

Ele afirmou que "é inaceitável que a ONU tenha que considerar a suspensão de suas operações humanitárias só porque falta combustível para seus veículos".

"É essencial que se restaure a provisão de combustível a Gaza e, em particular, deve ser garantido imediatamente o combustível voltado às agências das Nações Unidas e aos serviços básicos", afirmou. EFE sar/db

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