ONU situa economia da América Latina em cenário mais pessimista

Juan David Leal. México, 15 jan (EFE).- As Nações Unidas advertiram hoje no México que a economia da América Latina entrou totalmente no cenário mais pessimista previsto pelas agências do organismo multilateral e que as estimativas otimistas já não são válidas para a região, com o Brasil podendo crescer apenas 0,5%, segundo as previsões pessimistas.

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Durante a apresentação da seção latino-americana do relatório "Situação e perspectivas da economia mundial", o diretor de Políticas de Desenvolvimento e Análise do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU, Robert Vos, indicou que no pior dos casos a região terá em 2009 um crescimento negativo de 0,2%.

"Para 2009 o cenário otimista já não é válido", disse Vos na sede da Organização das Nações Unidas na capital mexicana.

Segundo os cálculos da ONU, um desempenho "otimista" da economia da América Latina e do Caribe significaria uma expansão do Produto Interno Bruto (PIB) da região de 2,7%, enquanto o cenário "de base" prevê um crescimento do 2,3%, que, segundo Vos, pode acontecer "com um pouco de sorte".

O estudo foi realizado em conjunto pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU, a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad) e a Comissão Econômica Para a América Latina e o Caribe (Cepal).

De acordo com as estimativas pessimistas para as dois maiores economias latino-americanas, o PIB do Brasil crescerá 0,5%, enquanto o do México cairá 1,2%.

"Estamos vivendo a pior crise desde os anos 30", que "ainda não chegou ao fundo do poço e o pior está por vir", afirmou Vos, um dos co-autores do documento.

Ainda assim, o diretor do escritório sub-regional da Cepal no México, Jorge Máttar, explicou que a região ressentirá de forma "diferente" os efeitos da crise mundial, especialmente nas exportações, preços de bens primários, remessas, turismo, Investimento Estrangeiro Direto (IED) e a liquidez de crédito.

Neste sentido, afirmou que já se percebe "uma desaceleração das exportações" que poderia derivar em uma queda do comércio internacional.

Máttar detalhou que os preços de bens primários caíram, embora no caso dos alimentos, minerais, metais e petróleo "ainda se encontrem a níveis superiores aos registrados ao princípio da década" atual, por mais que tenham sofrido recentemente "uma queda muito forte".

A América do Sul será a mais afetada por uma queda dos preços dos bens primários, porque nela "a receita de exportação se deve principalmente de petróleo, metais e minerais", de acordo com o documento.

Pelo lado das remessas do exterior, os países mais dependentes delas, como os centro-americanos e os caribenhos, se verão em maiores dificuldades que os sul-americanos.

Além disso, Máttar espera que haja "grande instabilidade" nos envios de dinheiro dos EUA para a região.

"É de se esperar que uma economia mundial que está estagnada ou em recessão gere menos turistas", algo que na América Latina "vai a refletir", apontou.

Neste caso, as nações mais prejudicadas por um pobre desempenho turístico serão as do Caribe e da América Central, onde este setor representa uma proporção maior do PIB.

Do mesmo modo, as economias menores são as que provavelmente sentirão em maior medida o efeito de um retrocesso dos investimentos estrangeiros, "porque a importância do IED é maior", disse Máttar.

O diretor da Cepal manifestou que o aumento do custo do crédito e a falta de liquidez internacional terão um efeito negativo na América Latina, mas ressaltou que, "ao contrário de outros anos, o setor privado (na região) está mais exposto, dado que sua dívida externa esteve crescendo nos últimos anos mais do que a dívida pública".

Por sua parte, Vos advertiu que o recente crescimento do dólar em muitos países da América Latina é um fenômeno "temporário" e pediu aos países ter "muito cuidado" para evitarem "aterrissagens forçadas" das taxas de câmbio, que "poderiam criar novos pânicos".

Finalmente, os analistas alertaram que a América Latina, região mais desigual do mundo, corre o risco "considerável" de que a brecha entre pobres e ricos aumente pelo crescimento do desemprego e da informalidade, que afetarão, sobretudo, as famílias com menor renda.

EFE jd/jp

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