ONU se diz alarmada por efeitos de ofensiva de Israel contra Gaza

Joaquim Utset. Nações Unidas, 29 dez (EFE).- A ONU se mostrou hoje alarmada com a inaceitável escalada de violência entre palestinos e israelenses na Faixa de Gaza e as conseqüências da ofensiva lançada por Israel em resposta aos foguetes disparados por milicianos do Hamas contra seu território.

EFE |

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, se referiu à "natureza aterrorizadora" da situação em que vivem as populações de Gaza e das localidades israelenses próximas à faixa territorial.

"O sofrimento causado aos civis pela violência e pela destruição em grande escala registrada nos últimos dias me entristece profundamente", disse Ban à imprensa.

O diplomata reiterou que Israel e o Hamas devem pôr fim a seus atos de violência, tomar todas as medidas necessárias para evitar mortes de civis e conter-se na hora de fazer "declarações provocativas".

Além disso, classificou como "inaceitável" a escalada de violência nos territórios palestinos e voltou a pedir o "respeito estrito ao direito internacional humanitário".

Nesse sentido, o subsecretário-geral da ONU para a Assistência Humanitária, John Holmes, questionou o respeito das duas partes aos conceitos de proporcionalidade e de distinção entre combatentes e civis, ambos previstos na legislação internacional.

"É muito difícil ver que isso é feito levando em conta o que está acontecendo em Gaza", disse Holmes.

Pelo menos 320 pessoas morreram e outras 1.400 ficaram feridas na Faixa de Gaza em virtude da ofensiva lançada no sábado por Israel, segundo dados da Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinos (UNRWA). Fontes palestinas, no entanto, elevam esses números para 350 mortos e 1.600 feridos.

De Gaza, aproximadamente 200 foguetes foram disparados contra as localidades próximas à faixa territorial nas últimas 48 horas, deixando um saldo de dois mortos, segundo o Exército israelense.

Holmes detalhou que entre os mortos em Gaza há 62 mulheres e crianças. Além disso, destacou que "os números demonstram que em lugares com uma alta densidade populacional, por mais precisas que as pessoas sejam, é impossível evitar mortes de civis".

Entre os prédios atingidos pelos ataques israelenses estão instalações da ONU na Faixa de Gaza, praticamente destruídas por uma bomba israelense lançada no sábado praticamente destroçadas, a qual matou um trabalhador palestino da UNRWA, segundo Holmes.

A comissária da UNRWA, Karen Abu Zayd, afirmou em uma videoconferência que os bombardeios israelenses têm como alvo todo tipo de instalações relacionadas ao Hamas, tenham uma função militar ou não. Como exemplo, citou o bombardeio contra edifícios universitários e quartéis da Polícia.

"Muitos dos mortos, como os cadetes que estavam se graduando quando uma bomba caiu, são pessoas que se uniram à Polícia porque não têm outra forma de ganhar a vida", disse a funcionária da ONU.

Zayd afirmou que as Forças Armadas israelenses "sempre sabem o que atacam e quem está lá quando o fazem".

Os representantes da ONU também chamaram a atenção para a grave falta de alimentos, medicamentos e artigos de primeira necessidade que atinge Gaza após meses de bloqueio israelense.

Holmes disse que o Exército de Israel autorizou hoje a passagem de 60 caminhões com remédios, alimentos e outros materiais para aliviar a escassez que compromete a população civil palestina.

Os hospitais têm material apenas para atender aos feridos que chegam após os bombardeios, razão pela qual "o sistema de saúde pode entrar em colapso" se a situação não melhorar, advertiu o subsecretário.

O diplomata acrescentou que a central termelétrica que gera a energia consumida na Faixa de Gaza será desativada nas próximas horas por falta de combustível.

Diante dessa situação, o embaixador egípcio na ONU, Maged Abdelaziz, e o representante palestino, Riyad Mansour, pediram ao Conselho de Segurança da ONU que obrigue Israel a pôr fim aos bombardeios e a abrir os postos fronteiriços.

Os dois lembraram que o CS aprovou ontem uma declaração que cobra o "fim imediato" da violência na região e que Israel permita a chegada de ajuda humanitária ao território palestino.

"O Conselho de Segurança e o secretário-geral estão de acordo quanto ao que deve ser feito. O que falta é Israel fazê-lo", declarou Mansour. EFE jju/sc

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