Joaquim Utset. Nações Unidas, 10 mar (EFE).- A Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas se comprometeu hoje a ajudar o Chile no que for preciso para reconstruir as regiões devastadas pelo terremoto que atingiu de fevereiro passado.

Cerca de 20 representantes de países-membros da organização expressaram sua solidariedade em uma reunião a portas fechadas com o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, e o embaixador do Chile, Heraldo Muñoz.

O encontro começou com um minuto de silêncio pelas vítimas do terremoto de 8,8 graus na escala Richter que atingiu o país no dia 27 de fevereiro, um dos maiores registrados na história.

A maioria dos diplomatas presentes ratificou no encontro a disposição de seus Governos de proporcionar a assistência que Santiago requisitar, como disseram fontes diplomáticas à Agência Efe.

O embaixador chileno, por sua vez, agradeceu as mostras de solidariedade e as ofertas de ajuda da comunidade internacional.

"Cada desastre natural é diferente e cada país que passa por isso tem necessidades diferentes. Nenhuma nação, por mais forte que seja, pode enfrentar uma catástrofe de magnitude sem ajuda internacional", disse Muñoz.

Em seu discurso, Ban ressaltou que o Chile foi "extraordinariamente generoso" com o Haiti, onde tem um grande contingente militar participando da missão da ONU (Minustah).

"Agora é o momento de as Nações Unidas e a comunidade internacional apoiarem o Chile e o seu povo. Convoco os Estados-membros a cumprirem com sua parte para ajudar a levantar e reconstruir um país melhor", disse o secretário-geral, segundo cópia do discurso divulgada pela ONU.

Além disso, o secretário compartilhou os dados de sua viagem na sexta-feira e no sábado com o Chile para conversar com as autoridades e observar os danos causados pelo terremoto no centro e sul do país.

O Governo chileno estima que 500 mil casas sofreram danos, 200 mil das quais deverão ser demolidas. Dez hospitais foram completamente destruídos. Somados aos 29 centros que sofreram danos de menor gravidade, o país perdeu entre 20% e 25% dos leitos hospitalares.

Ban não ofereceu um número em dólares para a catástrofe, mas indicou que os cálculos governamentais apontam uma perda de 5% do capital do país.

"O terremoto no Chile foi muito mais forte que o do Haiti. O fato de os danos não terem sido mais graves prova a qualidade dos serviços de emergência e a força de suas instituições", acrescentou.

Segundo o comunicado da missão do Chile, os Estados Unidos afirmaram na reunião que doarão US$ 10,6 milhões em ajuda humanitária e assessores técnicos, enquanto a Espanha se comprometeu a somar US$ 1,3 milhão à ajuda humanitária já enviada à zona devastada.

A Alemanha, por sua vez, indicou que além dos US$ 4 milhões mobilizados pela União Europeia (UE), seu Governo enviará US$ 400 mil e estuda oferecer mecanismos de financiamento.

Índia e Austrália se comprometeram com US$ 5 milhões cada uma, Japão anunciou US$ 3 milhões em ajuda de emergência e ajuda adicional em materiais, enquanto o Canadá e a Coréia do Sul doarão US$ 2 milhões cada.

Até o momento, o Governo de Santiago pediu ajuda na obtenção de hospitais de campanha, centros autônomos de diálises, geradores, sistemas de avaliação de danos estruturais, plantas purificadoras de água e pontes móveis.

Outras áreas nas quais o país poderia necessitar de assistência são a habilitação de albergues de emergência, casas e equipes de purificação de água.

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) deve finalizar um estudo sobre o desastre em meados de abril. A organização deve incluir recomendações sobre que ajuda fornecer.

Embora o Governo do Chile tenha estimado inicialmente o custo da reconstrução das infra-estruturas danificadas entre US$ 1 e US$ 1,2 bilhão, a empresa de consultoria americana Eqecat calculou as perdas entre US$ 15 e US$ 30 bilhões, o equivalente a 15% do PIB chileno.

No terremoto, há até agora 497 mortos identificados, assim como mais de dois milhões de pessoas desabrigadas. O desastre também destruiu setores econômicos fundamentais, como a vinicultura e a pesca. EFE jju/pb/rr

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