Nações Unidas, 20 jun (EFE).- A ONU seguirá adiante com seu plano de transferir parte de suas responsabilidades no Kosovo para uma missão da União Européia (UE), apesar de não contar com o aval do Conselho de Segurança, que está dividido sobre o território balcânico.

Os 15 membros do principal órgão reiteraram hoje, em reunião para debater o futuro da administração interina da ONU no Kosovo (Unmik), as profundas diferenças que impediram seu respaldo oficial à independência unilateral declarada.

Apesar disso, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, assegurou que realizará as mudanças anunciadas na semana passada porque reajustam o trabalho da Unmik "à nova realidade" de um Kosovo independente.

"Nossa presença tem que se transformar para poder preservar as conquistas alcançadas até agora e aumentá-las", disse Ban em discurso para o Conselho.

Ban anunciou que o encarregado de presidir esta nova etapa da Unmik será o italiano Lamberto Zannier, que substituirá o alemão Joachim Rucker como enviado especial para Kosovo.

A transferência de responsabilidades da Unmik para a missão européia autorizada por Ban é vista como mais um passo na construção de um Kosovo independente frente à firme oposição da Sérvia e da Rússia.

Segundo o plano do secretário-geral, a missão da UE denominada Eulex assumirá gradualmente maiores responsabilidades operativas em termos de justiça e segurança.

A divisão do Conselho de Segurança pôs o secretário-geral em uma "situação muito comprometida", reconheceu o embaixador dos EUA na ONU, Zalmay Khalilzad.

Para Khalilzad, o plano de Ban era a "opção mais prática possível" para adaptar a Unmik à realidade kosovar.

O presidente da Sérvia, Boris Tadic, rejeitou "a imposição" de medidas, por considerá-las contrárias à legalidade internacional.

"A Sérvia é uma democracia européia que procura preservar sua integridade e soberania", afirmou. EFE jju/rr

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