ONU reduz previsão de crescimento econômico da América Latina e do Caribe

Nações Unidas, 15 mai (EFE).- A ONU reduziu hoje para 3,1% sua previsão de crescimento para a América Latina e Caribe em 2008, devido às dificuldades atravessadas por seus parceiros comerciais dos Estados Unidos e da Europa Ocidental, um empecilho para a região.

EFE |

A atualização do relatório "Situação e Perspectivas para a Economia Mundial 2008" adverte que a região enfrenta "uma diminuição substancial" do intenso ritmo de crescimento experimentado nos últimos três anos.

A nova previsão de crescimento de 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB) da região contrasta com os 4,7% antecipados por economistas da ONU na apresentação deste mesmo relatório, em janeiro, e com os 5,7% obtidos por América Latina e Caribe em 2007.

Os economistas da ONU também consideram que as dificuldades da região permanecerão em 2009, cujo crescimento econômico previsto se reduzirá para 2,6%.

O relatório atribui grande parte do reajuste "aos estreitos vínculos da região com os Estados Unidos, mas também com Europa e China, seus principais parceiros comerciais".

A ONU acredita que a economia americana encerrará 2008 com uma contração de 0,2%. Na Europa ocidental, a alta será de 1,1% e na Ásia oriental, 5,9%, uma queda de 2,6% em relação a 2007.

O relatório mostra que, em geral, as exportações líquidas que sustentaram o crescimento nos últimos anos se estagnarão por causa de uma queda da demanda, enquanto o custo das importações aumentará, por causa dos altos preços do petróleo e dos alimentos.

Assim, destaca que a América Central e o Caribe, particularmente, terão as taxas de inflação mais altas da região por conta de sua dependência da importação de bens como o petróleo.

A isso se soma a redução do valor das remessas dos numerosos emigrantes nos EUA, especialmente os vindos do México e da América Central, atingidos pela desvalorização do dólar, dizem os autores do relatório.

Estas dificuldades vão exigir provavelmente um reajuste da política monetária e fiscal, o que debilitará o investimento público e privado em vários países.

Além da estagnação das melhoras vividas pelos mercados trabalhistas regionais, desde 2004.

O documento indica um pequeno aumento do desemprego, que será mais forte no México do que nas economias sul-americanas, onde a redução da atividade econômica será menor.

"Embora o contágio na vertente financeira tenha se contido relativamente, os mercados financeiros das economias emergentes regionais poderiam enfrentar problemas caso se combinasse a confusão sofrida pelos mercados internacionais com uma redução da atividade econômica da região", aponta o relatório.

Se isso acontecer, a previsão pessimista indica a entrada em uma clara recessão causada por um forte enfraquecimento da demanda dos produtos exportados pelas economias da região, advertem os autores.

Segundo essa possibilidade, o crescimento da América Latina e do Caribe seria de menos 0,3%, em 2008, e de 0,9%, em 2009.

Por outro lado, sob ponto de vista otimista, considerando que as dificuldades enfrentadas pelos EUA seriam superadas, o relatório aumenta o crescimento da região para 4,2%, em 2008, e 4%, em 2009.

EFE jju/rb/fb

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