ONU reduz perspectivas de saída pacífica para o conflito de Darfur

Nações Unidas, 14 mai (EFE).- O subsecretário-geral da ONU para Operações de Paz, Jean-Marie Guéhenno, afirmou hoje que as perspectivas de encontrar uma saída pacífica para o conflito de Darfur reduziram em função do aumento da violência na região.

EFE |

Guéhenno advertiu em uma intervenção perante o Conselho de Segurança da ONU que a "situação em Darfur está piorando a um ritmo alarmante".

O subsecretário considerou como um "desenvolvimento muito inquietante" o recente ataque lançado por militantes do Movimento para a Justiça e a Igualdade (MJI) contra uma localidade nos arredores de Cartum, no qual morreram 255 rebeldes e 77 membros das forças de segurança do Sudão.

O fato de esse evento ter sido realizado sem ter sido detectado pela missão de paz conjunta das Nações Unidas e pela União Africana em Darfur (Unamid) é um fato preocupante, destacou.

"O incidente coloca em evidência as graves limitações da missão, particularmente quanto a reconhecimento aéreo", avaliou.

O ataque contra a cidade de Omdurman, separada de Cartum pelo rio Nilo, é uma das maiores operações rebeldes contra a capital sudanesa nos últimos anos e reflete a fragilidade da situação em um país desgarrado pelas guerras.

Guéhenno também expressou sua inquietação diante das informações de que outro grupo rebelde, o Exército de Libertação do Sudão (SLA), prepara uma ofensiva contra El Fasher, capital do norte de Darfur, onde se encontra a sede central da Unamid.

Os freqüentes combates dos grupos rebeldes com o Exército sudanês obrigaram 150.000 pessoas a abandonarem seus lares na região no último ano.

"A situação em Darfur é indefinidamente mais complexa e as perspectivas de paz parecem mais remotas", afirmou.

Além disso, "as partes não demonstram vontade política para abandonar a opção militar, iniciar negociações ou cooperar com a Unamid e a comunidade humanitária", acrescentou.

O Programa Mundial de Alimentos (PMA) se viu obrigado a reduzir pela metade as porções de comida distribuída a três milhões de desabrigados pelo conflito, devido aos seqüestros de seus caminhões e o perigo que representam os combates.

O conflito de Darfur explodiu em fevereiro de 2003, quando os grupos rebeldes dessa região pegaram em armas para protestar contra a pobreza e a marginalização da região, que faz fronteira com o Chade.

Desde então, cerca de 300.000 pessoas morreram e outros dois milhões e meio se viram forçadas a abandonar suas casas. EFE jju/fb

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