ONU reduz esforço para resgatar soterrados no Haiti

A ONU anunciou nesta quarta-feira que o número de equipes atuando no resgate de vítimas dos escombros foi reduzido de 52 para 36. A entidade explicou que a decisão reflete a constatação de que as esperanças de encontrar vítimas com vida já são remotas.

BBC Brasil |

"Mais ainda acreditamos em milagres", disse em entrevista à BBC Brasil, Elisabeth Byrs, a porta-voz do Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (Ocha, na sigla em inglês).

Até agora, as equipes atuando no Haiti já conseguiram resgatar 121 pessoas com vida das construções que desmoronaram por causa do tremor.

"Porém, a cada hora que passa, a esperança de encontrarmos pessoas com vida nos escombros diminui", disse Byrs. A porta-voz também avisa que o número de resgatados vivos vêm caindo a cada dia.

No dia 17, sábado, o chefe das equipes de resgate no Haiti, Jasper Lund, já havia dito que as chances de localizar vítimas com vida não durariam muito. "Até mesmo seis dias depois (do terremoto), ainda é possível que encontremos pessoas com vida", disse. Mas o desastre ocorreu há mais de uma semana.

É justamente com base nisso que Byrs explica a redução das equipes de resgate. "A partir de agora, esses times são mais úteis atendendo feridos nas ruas ou em outras tarefas do que tentando localizar soterrados".

Mesmo assim, a porta-voz disse que a ONU não perdeu completamente as esperanças.

"Estamos atingindo realmente o limite de tempo que uma pessoa soterrada nessas condições pode suportar. Mas ainda acreditamos em milagres, como o do bebê de 15 dias resgatado com vida na terça-feira".

'Milagres'
Elisabeth Joassaint, que passou quase metade de seus quinze dias de vida sozinha presa em um prédio desmoronado, sem comida nem água, foi localizada nesta terça-feira com vida. As equipes de resgate estavam para demolir sua casa quando a encontraram sobre uma cama.

No mesmo dia, Anna Zizi, uma haitiana de quase 70 anos, foi localizada cantando nos escombros de uma catedral.

Já Hoteline Losana, uma mulher de 25 anos, foi resgatada das ruínas de um shopping. Ela estava presa por uma geladeira e próxima a um cadáver.

A porta-voz do Ocha disse à BBC Brasil que o clima tem colaborado para a sobrevivência dessas pessoas. "Não veio nenhuma chuva forte nem tem feito frio à noite. Por outro lado, o calor agrava o problema de desidratação das pessoas soterradas", explicou.

Byrs conclui dizendo que o número de resgatados é um recorde histórico. "O número de resgatados com vida sobre escombros neste terremoto supera o de outras tragédias, como os tremores no Paquistão, na Indonésia ou o da província de Bam no Irã, em 2003".

Hospitais
Em seu mais recente comunicado, a ONU disse também que, antes do terremoto, o país contava com 371 postos de saúde, 217 centros médicos e 49 hospitais. Dos 11 hospitais e centros médicos da capital haitiana, Porto Príncipe, oito desmoronaram ou foram seriamente danificados.

Segundo a entidade, as principais preocupações das equipes médicas são os traumas causados pelo terremoto, mulheres grávidas e a propagação de doenças como o tétano, "que tem uma taxa de mortalidade de 70%".

O Ministério do Interior haitiano começou a espalhar soda cáustica sobre corpos e prédios em que os mortos ainda não foram resgatados para evitar a disseminação de doenças.

Auxílio internacional
O Ocha relata que o Departamento de Defesa dos Estados Unidos aprovou o envio de 16 milhões de refeições prontas para o país caribenho. Na segunda-feira, 14,5 mil refeições do tipo e 15 mil litros de água foram lançados de paraquedas.

Quanto ao programa de captação de recursos emergenciais da ONU para o Haiti, a organização revela que já conseguiu US$ 120 milhões dos US$ 575 milhões almejados, ou seja, 21%.

Além disso, outros US$ 385 milhões devem chegar ao país por outros programas humanitários.

Finalmente, o Conselho de Segurança da ONU aprovou o envio de mais 3,5 mil militares e policiais para o país. Com isso, o efetivo da Minustah (Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti, na sigla em francês) chegará a 8940 soldados e 12,6 mil pessoas.

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