ONU reconhece sua incapacidade para deter conflito na Geórgia

Nações Unidas, 9 ago (EFE).- O Conselho de Segurança da ONU reconheceu hoje sua incapacidade para deter o conflito na Geórgia após 48 horas de intensas gestões diplomáticas em que não conseguiu convencer as partes envolvidas a porem fim à violência.

EFE |

A ONU foi incapaz de superar as crescentes diferenças entre Rússia, por um lado, e Estados Unidos e Reino Unido, por outro, para fazer uma chamada conjunta à cessação das hostilidades e evitar que o conflito se estenda a outras regiões do Cáucaso.

O belga Jan Grauls, que ocupa a Presidência rotativa do Conselho de Segurança da ONU, assegurou na saída da terceira reunião do órgão sobre o assunto em menos de dois dias que, por enquanto, seus membros desistem dado o panorama na zona.

"Infelizmente, minha conclusão é que será muito difícil, se não impossível, encontrar pontos de coincidência suficientes para elaborar uma declaração conjunta", disse o diplomata belga.

Nesse sentido, assegurou que durante a reunião "vários membros do conselho expressaram firme apoio aos esforços de mediação internacionais, particularmente os da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) e da União Européia (UE)".

Grauls não anunciou uma nova reunião do Conselho de Segurança nas próximas horas para voltar a abordar o assunto.

A crescente tensão na zona de conflito se refletiu no tom do discurso do embaixador russo na ONU, Vitaly Churkin, que acusou o Governo georgiano de cometer "um genocídio" na Ossétia do Sul e defendeu que seu país está realizando "uma operação de manutenção da paz" no território.

Ele assegurou que as forças georgianas mataram cerca de dois mil civis e provocaram a fuga para o território russo da Ossétia do Norte de 30 mil dos cerca de 70 mil habitantes da região separatista.

"Quanta gente precisa morrer lá para chamarmos isto de um genocídio?", questionou na saída da reunião.

A exemplo de Grauls, Churkin disse que não há suficiente consenso no Conselho de Segurança para conseguir uma chamada ao cessar-fogo.

"Acho que já não estamos em um ponto em que o Conselho de Segurança possa adotar um texto importante", comentou o diplomata, que rejeitou os pedidos para que as forças russas se retirem de território georgiano.

Para o embaixador adjunto dos EUA na ONU, Alejandro Wolf, este é precisamente um dos pontos de atrito que impediram chegar a um consenso.

"É um conflito que está se descontrolando e o motivo é a intervenção em massa de forças exteriores", ponderou.

Wolf reiterou o pedido de seu país para que Moscou aceite a oferta de um cessar-fogo proposta pelo presidente georgiano, Mikhail Saakashvili.

A Rússia insiste que as forças georgianas devem ceder todo o terreno que ganharam nos três dias de combate na região separatista da Ossétia do Sul.

Já o Reino Unido e os EUA, principais aliados da Geórgia, também defendem que se deve declarar um cessar-fogo antes de negociar qualquer outra condição.

Um fato de especial preocupação para a ONU são os preparativos bélicos das autoridades da Abkházia, a outra região separatista da Geórgia, em que tem desdobrada uma missão de observadores.

O secretário-geral adjunto da ONU para missões de paz, Edmund Mulet, informou ao Conselho de Segurança durante a reunião de hoje que o comando de forças das Nações Unidas retirou os capacetes azuis desdobrados no Vale de Kodori, depois de pedidos das autoridades da Abkházia.

"Nos preocupa particularmente que o conflito parece estar se estendendo para além da Ossétia do Sul, até a Abkházia", disse Mulet na saída da reunião.

Segundo ele, os observadores da ONU detectaram claros sinais de que as forças separatistas da Abkházia se preparam para lançar uma ofensiva, provavelmente no domingo, o que suporia a abertura de uma segunda frente no conflito.

As posições georgianas no vale de Kodori estão desde hoje submetidas a um intenso bombardeio, confirmou Mulet. EFE jju/rr

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