ONU questiona capacidade do Governo sudanês de substituir ONGs

Nações Unidas, 16 mar (EFE).- O subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, John Holmes, questionou hoje a capacidade do Governo do Sudão de concretizar seu desejo de substituir com entidades nacionais todas as organizações humanitárias estrangeiras presentes no país.

EFE |

O presidente do Sudão, Omar al-Bashir, anunciou hoje que, no prazo de um ano, as agências internacionais de ajuda humanitária deverão deixar o país e que organizações sudanesas assumirão a tarefa desempenhada por essas entidades.

Se isso acontecer, as consequências seriam "enormes" para os milhões de sudaneses que dependem da ajuda internacional para sobreviver, particularmente em Darfur, assegurou Holmes.

"Os doadores internacionais e as organizações de cooperação, sejam ONGs ou da ONU, não estarão dispostas simplesmente a entregar seu material ao Governo sudanês para que o reparta como quiser", afirmou o diplomata britânico em entrevista coletiva.

Ele acrescentou que as entidades humanitárias do Governo sudanês não seriam bem recebidas nos campos de deslocados, já que o Executivo é visto como culpado do conflito que atinge a região.

O subsecretário-geral da ONU reconheceu que o anúncio feito por Bashir durante uma cerimônia com chefes militares e policiais em Cartum pegou o organismo mundial de surpresa.

"O que pensamos é que é uma decisão inadequada que deveria ser revista", indicou.

A medida anunciada por Bashir se soma à expulsão do país de 13 ONGs estrangeiras e à interrupção das operações de outras três nacionais decretada depois que o Tribunal Penal Internacional (TPI) ordenou a detenção do líder sudanês no dia 4 de março.

O tribunal acusa Bashir de crimes de guerra e contra a humanidade por sua suposta responsabilidade nas atrocidades cometidas contra a população civil de Darfur. EFE jju/db

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