Nações Unidas, 1 jul (EFE).- A ONU pediu hoje que seja reconsiderado o modelo de desenvolvimento seguido nos últimos anos pela economia global para que se possa enfrentar a atual crise que atinge quase todos os países do mundo.

O "Relatório Econômico e Social de 2008" do departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas divulgado hoje assinala que o mundo se encontra em uma etapa de insegurança econômica que se estende dos países mais pobres aos mais ricos.

"O otimismo recente que tinha conseguido intensificar a luta contra a pobreza graças a um rápido crescimento dos mercados emergentes e inclusive das economias mais pobres se transformou em ansiedade", afirma o estudo.

Segundo os autores do texto, a nova insegurança econômica no mundo em desenvolvimento está vinculada à crise alimentícia e à fraqueza do emprego formal.

Para eles, nas economias industrializadas se reflete um maior grau de endividamento individual, o aumento das desigualdades e a erosão das prestações sociais.

Os economistas da ONU concluíram que os mercados conduzidos de forma errada "não proporcionam níveis de segurança econômica desejáveis".

Por isso, argumentaram a necessidade de adotar medidas para evitar as turbulências e debilidades que identificam no atual modelo de desenvolvimento.

O documento assinala a crise da agricultura como prova das "políticas errôneas" que deram preferência à abertura das economias em desenvolvimento ao exterior sem construir uma infra-estrutura rural capaz de aumentar sua produção.

De acordo com o texto, este desequilíbrio se transformou na "característica principal desta etapa de insegurança, que é a incapacidade de um país de alimentar a sua população".

Os economistas da ONU recomendaram a implementação de intervenções estratégicas e investimentos públicos no setor agrícola, assim como um replanejamento do processo de industrialização e um melhor equilíbrio entre políticas econômicas e sociais.

"Este é o enfoque que realizaram com sucesso os Governos do Leste da Ásia", assegura o relatório.

Os economistas da ONU recomendaram que as autoridades adotem medidas fiscais que favoreçam a criação de reservas nos bons tempos e de estímulos nos maus.

O relatório pede que sejam revisadas as políticas das instituições financeiras multilaterais para que desenvolvam mecanismos compensatórios para ajudar países vulneráveis a crises externas, fortalecer as regulamentações internacionais e promover mecanismos anti-cíclicos.

O estudo também aconselha os países que acumularam grandes reservas de divisas a se protegerem da volatilidade dos mercados que empregam esse capital em investimentos produtivos, particularmente em economias em desenvolvimento.

Além disso, calcula que manter intocadas estas reservas de divisas custa a esses Governos cerca de US$ 100 bilhões ao ano. EFE jju/rr

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