Nações Unidas, 7 ago (EFE).- O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu hoje ao Conselho de Segurança do organismo que crie uma comissão independente para investigar o uso da violência sexual como arma de guerra nos principais conflitos na África.

Em discurso no principal órgão da ONU, Ban assegurou que os estupros e as agressões sexuais se transformaram em armas de guerra nos conflitos que afetam a República Democrática do Congo (RDC), o Chade e o Sudão.

A comissão, que contaria com a assessoria da alta comissária da ONU para Direitos Humanos, teria como objetivo recomendar mecanismos ao Conselho de Segurança para colocar fim à impunidade nestes "crimes escandalosos".

Ban apresentou a proposta em reunião do principal órgão dedicada à mulher, à paz e à segurança, na qual se espera a participação de 45 delegações.

"Apesar dos avanços conseguidos nas últimas duas décadas, os atos de violência sexual dirigidos contra a população civil seguem ocorrendo de maneira generalizada e sistemática", assegurou Ban.

O secretário-geral citou como exemplo desta conduta as ações dos rebeldes do Exército de Resistência do Senhor (LRA, na abreviatura em inglês) em Uganda, Sudão e na RDC.

Ele lembrou que os atos de violência sexual generalizados também deixam um legado envenenado que solapa os processos de pacificação e reconstrução anos depois de as armas pararem de agir, como ocorreu em Burundi, Libéria ou Serra Leoa.

A organização deve elaborar uma resposta multisetorial contra este fenômeno, que inclua os mandatos de suas missões de paz, promova os direitos da mulher e fomente a investigação destes crimes, disse.

A embaixadora americana, Susan Rice, respaldou as propostas de Ban, mas destacou que a ONU deve "dar o exemplo" e assegurar que a punição aos militares do organismo culpados de crimes de violência sexual. EFE jju/db

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