ONU quer inquérito sobre possível crime de guerra em Gaza

A Alta Comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, afirmou nesta sexta-feira que um incidente envolvendo soldados israelenses na Faixa de Gaza tem todos os elementos de um crime de guerra. Em entrevista à BBC, Pillay afirmou que o relato da Cruz Vermelha de que militares israelenses não teriam ajudado civis feridos em ataques na região deve ser alvo de uma investigação independente.

BBC Brasil |

Segundo a Cruz Vermelha, seus funcionários presenciaram cenas "chocantes". Em um incidente, uma equipe médica disse ter encontrado pelo menos 12 corpos em uma casa destruída por bombardeios em Zeitun, ao sul da Cidade de Gaza.

Junto aos cadáveres, segundo a Cruz Vermelha, estavam quatro crianças apavoradas, muito fracas para conseguir levantar, sentadas ao lado dos corpos de suas mães.

A Cruz Vermelha acrescentou ainda que os agentes humanitários foram impedidos de chegar ao local por dias após o bombardeio.

"O incidente que a Cruz Vermelha descreveu é muito preocupante, pois tem todos os elementos que constituem um crime de guerra", disse a comissária da ONU em Genebra.

"Existe a obrigação de proteger os feridos, de tratar os doentes, de levá-los para um local seguro e aqui, segundo a Cruz Vermelha, soldados israelenses não fizeram nada por essas quatro crianças, que estavam fracas demais para se mover", acrescentou.

A Comissão de Direitos Humanos da ONU está reunida em Genebra, em um encontro de emergência, para discutir a ofensiva israelense na Faixa de Gaza.

Obrigações
Apesar de também condenar os ataques de foguetes do Hamas contra civis em Israel, a comissária de direitos humanos da ONU destacou que as autoridades israelenses não podem ignorar suas obrigações previstas nas leis internacionais.

"Quero destacar que, embora os ataques indiscriminados com foguetes contra alvos civis em Israel sejam ilegais, a responsabilidade de Israel de cumprir suas obrigações internacionais é completamente independente da obediência do Hamas às suas próprias obrigações de acordo com a lei internacional", disse.

O representante de Israel no encontro em Genebra, Aharon Leshno-Yaar, acusou o Hamas de aterrorizar israelenses e palestinos.

"O Hamas usa a população palestina como escudos humanos, se escondendo em escolas, mesquitas e casas na Faixa de Gaza e transformando-as em depósitos de munição", afirmou Leshno-Yarr. "Para o Hamas, um civil não é mais do que um método sofisticado e eficiente de guerra e defesa."
O representante palestino na reunião, Ibrahim Khraishi, acusou os líderes israelenses de iniciar uma guerra para conseguir vantagens eleitorais.

"Desde o início da recente agressão contra a Faixa da Gaza, 14 dias atrás, sem parar e sem piedade ou moralidade, o fluxo de sangue e partes dos corpos de crianças, mulheres e civis palestinos inocentes se transformou, infelizmente, em parte da campanha eleitoral dos líderes israelenses", disse Khraishi.

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