ONU quer enviar ajuda a regiões de conflito no Congo

A ONU deve enviar um comboio de alimentos e suprimentos médicos para ajudar as cerca de 250 mil pessoas deslocadas pelos recentes conflitos na República Democrática do Congo. O comboio deve deixar a cidade de Goma e entrar em território controlado pelas forças do general rebelde Laurent Nkunda.

BBC Brasil |

Os ministros do exterior britânico, David Miliband, e francês, Bernard Kouchner, estão em Ruanda, para uma reunião com o presidente Paul Kagame onde deve ser discutida uma saída para a crise.

No sábado, Kouchner e Miliband se reuniram com o presidente da República Democrática do Congo, Joseph Kabila, em Kinshasa.

O governo congolês acusa Ruanda de apoiar os rebeldes liderados por Nkunda, mas os dois presidentes concordaram em participar de uma reunião regional sobre o assunto dentro de algumas semanas.

Nkunda alega que está protegendo seu povo tutsi da agressão de hutus que teriam participado do massacre de Ruanda, em 1994, e estariam baseados no leste da República Democrática do Congo.

A França e a Grã-Bretanha pediram a total implementação dos acordos de paz bilaterais, além do desarmamento da milícia.

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, disse que a comunidade internacional "não pode permitir que o Congo vire uma nova Ruanda", onde 800 mil pessoas foram mortas no genocídio há quase 15 anos.

Corredor de ajuda é "vital"
Enquanto as agências de ajuda esperam que os esforços diplomáticos tragam frutos, elas não estão esperando para agir, afirma o correspondente da BBC em Goma, Peter Greste.

Desde o início dos choques na região, há quase dois meses, cerca de 250 mil pessoas tiveram que deixar suas casas, e as agências de ajuda foram obrigadas a interromper suas operações em várias áreas.

Cerca de 50 mil deslocados foram para Goma - a capital da volátil província de Kivu, norte do país - mas o resto parece ter desaparecido, afirma Greste. Não se sabe como eles estariam sobrevivendo.

As agências, no entanto, tiveram que suspender parte da ajuda no meio da semana passada, quando as tropas de Nkunda se aproximaram da cidade. Nkunda concordou com um cessar-fogo, e suas tropas não avançaram desde então.

Os ministros francês e britânico disseram que a abertura de um corredor para a entrega de ajuda humanitária para Goma é a principal prioridade.

"Essas pessoas... precisam de rotas seguras para a entrega da ajuda humanitária prometida", disse Miliband.

Visitando um campo para os deslocados internos ao norte de Goma, no sábado, os ministros e seus guarda-costas tiveram que passar por uma multidão de pessoas desesperadas.

Muitos tentavam sobreviver cozinhando as magras rações de emergência, enquanto outros tentavam erguer abrigos plásticos precários em meio à chuva.

Outros tentavam voltar para casa a pé, passando por território agora controlado pelo general Nkunda, cujas milícias permanecem acampadas nos arredores de Goma.

A preocupação aumentou no início da semana passada, quando a agência para refugiados da ONU disse que campos que abrigavam 50 mil pessoas em Rutshuru, a 90 km de Goma, haviam sido esvaziados à força, saqueados e incendiados.

Tropas de paz
O secretário de Estado americano assistente para a África, Jenadyi Frazer, apoiou a idéia de enviar tropas européias para ajudar a missão da ONU, Monuc, já sobrecarregada.

Mas Miliband disse que a missão de 850 soldados da ONU em Goma deveria ser reforçada por outros dos 16 mil soldados da ONU estacionados em outras áreas do país.

O chefe da Monuc, Alan Doss, disse que espera encontrar formas de reforçar a missão em Goma, mas ressaltou: "Nós precisamos de ajuda. Estamos sobrecarregados. Estamos em atividade em quatro frentes de combate".

O general Nkunda diz que está protegendo os tutsis dos hutus, e o governo congolês já prometeu impedir que as forças hutus usem seu território, mas nunca cumpriu a promessa.

Também há acusações de que o exército da República Democrática do Congo esteja de conluio com as guerrilhas hutu.

O governo congolês, por sua vez, acusa Ruanda de estar por trás do general Nkunda. Ruanda nega, mas já invadiu a República Democrática do Congo duas vezes nos últimos anos.

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