ONU quer ajuda de US$ 10 bi para lançar pacto climático

OSLO (Reuters) - Uma ajuda de 10 bilhões de dólares dos países ricos seria um bom começo para lançar o novo tratado climático global a ser definido em dezembro em Copenhague, disse na terça-feira o principal dirigente climático da ONU. Yvo de Boer, chefe do Secretariado de Mudança Climática da ONU, declarou ainda em entrevista ao BBC World Service que os países ricos precisam se comprometer com cortes profundos nas emissões de gases do efeito estufa até 2020, e que os pobres precisam reduzir o ritmo de crescimento das suas emissões.

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Em qualquer esquema, porém, será preciso um investimento inicial.

"Se conseguirmos em Copenhague algo como 10 bilhões de euros ou dólares sobre a mesa, isso permitiria aos países em desenvolvimento começar a preparar planos para limitar suas emissões e se adaptar à mudança climática, então esse seria um bom começo", disse ele.

"Mas, ainda mais importante, Copenhague precisa definir uma arquitetura, uma fórmula de compartilhamento dos ônus, que nos permita compartilhar os custos da ação climática entre os países, já que as necessidades aumentam com o tempo."

Em longo prazo, a ONU estima que o combate à mudança climática exija uma verba anual de 200 bilhões de dólares.

Já a entidade ambientalista Greenpeace disse que deve haver um compromisso de verbas anuais de 140 bilhões de dólares quando os líderes do G20 (países ricos e emergentes) se reunirem para discutir o financiamento climático durante o seu encontro de setembro em Pittsburgh, EUA.

"De Boer está absolutamente certo por salientar que esta questão financeira deve ser resolvida para superar o impasse nas discussões climáticas internacionais, mas 10 bilhões de dólares seria visto apenas como um pagamento de sinal", disse o ativista do Greenpeace Joss Garman.

De Boer disse que a atual recessão está impedindo os países ricos de assumirem compromissos. Ele defendeu que esses países assumam metas de redução das emissões até 2020 na ordem de 25 a 40 por cento sobre os níveis de 1990. Essa margem foi apontada em 2007 por uma comissão científica da ONU como o necessário para evitar os piores efeitos do aquecimento.

Até agora, os países desenvolvidos se comprometem a cortes que variam apenas de cerca de 10 a 14 por cento sobre os níveis de 1990.

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