ONU pune testes nucleares da Coreia do Norte

Elena Moreno. Nações Unidas, 12 jun (EFE).- O Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) puniu hoje os últimos testes nucleares e de mísseis balísticos realizados pela Coreia do Norte, ao ampliar o embargo de armas e o bloqueio de ativos que já mantinha contra o país, além de autorizar a inspeção de navios e aviões suspeitos de transportar armamento.

EFE |

O Conselho, principal órgão de decisões da ONU, ampliou as sanções ao isolado regime comunista de Pyongyang, que cada vez mais recebe críticas internacionais, inclusive de seus aliados mais próximos como a Rússia e a China, e de outros membros não-permanentes do conselho como o Vietnã ou Líbia.

"A China se opõe aos testes nucleares e acredita que as reações do Conselho têm que ser apropriadas e equilibradas e pede que não haja somente sanções, mas também uma mensagem positiva à Coreia do Norte", disse o embaixador do país, Zhang Yesui, à imprensa, no final da votação.

O diplomata chinês se referia à parte da resolução que pede a Pyongyang que se insira na política de desnuclearização de forma pacífica e por meios diplomáticos.

"O Conselho atuou de maneira clara, unificada e decisiva", indicou o embaixador adjunto britânico, Phil Parham, que avaliou a determinação desse órgão de "enfrentar as ações perigosas e provocativas da Coreia do Norte".

O texto aprovado "proporciona uma resposta firme e unida ao teste nuclear da Coreia do Norte", ressaltou a embaixadora adjunta dos Estados Unidos, Rosemary DiCarlo, que também disse que "a mensagem é clara: o comportamento da Coreia do Norte é inaceitável para a comunidade internacional".

"A resolução que acabamos de aprovar é uma mensagem clara que as ações da Coreia do Norte são inaceitáveis para a comunidade internacional e põem em risco a paz e a segurança internacionais", disse o embaixador do México, Claude Heller.

A punição ao país asiático, que vive sob uma ditadura comunista e se vê cada vez mais isolado da comunidade internacional, é uma resposta aos lançamentos de mísseis realizados nos dias 5 de abril e 25 de maio, quando também realizou um teste nuclear, ações pelas quais violou a resolução 1.718, de outubro de 2006, que condenava um possível teste nuclear, o que resultaria em sanções, caso fosse efetuado.

A nova resolução impõe um embargo total às exportações de armas do país asiático e amplia a proibição das importações de armamento, além de permitir a inspeção de navios e de aviões suspeitos de transportar armas de destruição em massa.

Além disso, pede aos Estados-membros que, antes de 30 dias, ampliem sanções para a lista de ativos, entidades e indivíduos do regime norte-coreano e que os mecanismos de inspeção a Pyongyang sejam reforçados.

Um dos pontos mais sensíveis da resolução, e que enfrentou mais dificuldades, foi a autorização para inspecionar os navios e os aviões suspeitos de transportar armamento, ou outro material militar.

O embaixador chinês indicou que essas medidas eram "muito complicadas e sensíveis. Os países terão que atuar de maneira prudente. Sob nenhuma circunstância deve ser feito o uso da força ou haver uma ameaça de fazê-lo".

Ainda não se sabe qual será o impacto real das sanções à Coreia do Norte, pois, em ocasiões anteriores, o regime de Kim Jong-il mostrou indiferença às punições. Além disso, segundo diversas informações de inteligência, o país poderia estar preparando um terceiro teste nuclear, para os próximos dias.

O embaixador francês na ONU, Jean-Maurice Ripert, ressaltou que a resolução contém "sanções muito fortes que limitarão o acesso da Coreia do Norte aos recursos e aos circuitos financeiros que alimentam seu programa nuclear".

Todos os países concordaram que a resolução deve induzir a Coreia do Norte a retornar às negociações a seis partes (com EUA, Japão, China, Rússia e as duas Coreias), com o objetivo de conquistar a desnuclearização da península coreana, que está suspensa há meses.

"A Coreia do Norte deve voltar imediatamente, e sem condições, a esse diálogo", afirmou o embaixador da Rússia, Vitaly Churkin, que ressaltou que as ações do país asiático "colocaram a paz e a segurança da região em perigo".

O embaixador adjunto britânico disse que as medidas adotadas têm como objetivo "os programas de armamento de destruição em massa, mísseis e nucleares" desse país.

"A China está preparada para trabalhar com todas as partes, de maneira construtiva, para acabar com a nuclearização da península coreana e manter da paz e a segurança no norte" do país, indicou o representante de Pequim, que teme que a punição cause um aumento dos refugiados para fronteira dos dois países. EFE emm/pd

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