ONU: protestos na Tunísia deixaram 219 mortos

Segundo organização, revolta que levou à queda do presidente Ben Ali deixou 510 feridos

iG São Paulo |

Os protestos populares que levaram à queda do presidente da Tunísia deixaram 219 mortos e 510 feridos, informou nesta terça-feira a Organização das Nações Unidas. Entre as vítimas fatais, 72 morreram em revoltas ocorridas em diversas prisões tunisianas.

O governo da Tunísia tinha estimado 78 mortos nos protestos. Bacre Waly Ndiaye, chefe da equipe da ONU que investiga os protestos, afirmou que os números não são finais e que a organização vai dar continuidade às investigações.

Ben Ali foi derrubado após semanas de protestos causados pela pobreza, o desemprego e a repressão. Foi a primeira rebelião genuinamente popular a derrubar um líder do Oriente Médio desde a deposição do xá do Irã, em 1979.

A saída de Ben Ali do poder não representou o fim das manifestações, pois milhares de tunisianos continuaram saindo às ruas para exigir que o governo interino fosse radicalmente diferente do anterior. O premiê do país prometeu convocar eleições em seis meses.

Analistas consideram que a mobilização na Tunísia, conhecida como "Revolução de Jasmim", afetou regimes que estão no poder há décadas graças ao predomínio do medo. Protestos contra o governo também aconteceram em países como Iêmen, Jordânia, Argélia e principalmente no Egito, onde milhares pedem a saída do presidente Hosni Mubarak desde a semana passada.

Sinagoga é alvo de ataque

Na noite de segunda-feira, uma sinagoga foi incendiada na cidade de Gabes, no sul da Tunísia. Não está claro se o ataque está relacionado aos protestos contra o governo.

Segundo Trabelsi Pérez, chefe da comunidade judia de Djerba, rolos da Torá foram queimados. "Fiquei surpreso porque havia policiais não muito longe da sinagoga", afirmou Pérez.

Em abril de 2002, uma sinagoga na ilha de Djerba foi alvo de um ataque com caminhão-bomba reivindicado pela Al-Qaeda que deixou 21 mortos.

Há cerca de 1.600 judeus na Tunísia.

Com EFE e AFP

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