ONU pressiona militares de Mianmar a abrir país à ajuda externa

Nações Unidas, 7 mai (EFE) - A ONU pressionou hoje o regime militar de Mianmar (antiga Birmânia) a abrir o país à ajuda internacional que se acumula em suas fronteiras, perante o temor de que mais demoras na distribuição de assistência aumente o devastador saldo do ciclone Nargis.

EFE |

As agências das Nações Unidas e organizações humanitárias internacionais estão há três dias esperando que a burocracia birmanesa conceda vistos a seus voluntários e permita a entrada de carregamentos com materiais de primeira necessidade para os mais de um milhão de desabrigados.

O subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, John Holmes, advertiu hoje de que os números de 22 mil e 40 mil mortos divulgados pelo Governo até o momento "muito provavelmente aumentarão".

"Estamos diante de uma catástrofe de grandes proporções e, portanto, é de extrema importância que enviemos o máximo de ajuda no menor tempo possível", ressaltou em entrevista coletiva.

A representante diplomática dos Estados Unidos em Mianmar, Shari Villarosa, disse em uma teleconferência que o número de mortos pelo ciclone "Nargis" poderia passar dos 100 mil, se as condições humanitárias continuarem piorando, e advertiu do risco de epidemias.

Villarosa, encarregada de negócios, explicou que cerca de 95% dos edifícios na zona afetada pela passagem ciclone no delta do rio Irrawaddy ficaram destruídos e que a situação fora de Yangun, a cidade mais povoada do país, é "desastrosa".

Holmes indicou, por sua parte, que a ONU somente pôde enviar até o momento à zona o pessoal e o material que já tinha no país quando "Nargis" atingiu no sábado passado o sul de Mianmar.

As autoridades birmanesas concederam hoje a autorização para que se distribua 800 toneladas de arroz que o Programa Mundial de Alimentos (PMA) tinha armazenado há dias em Yangun.

Até quinta-feira não se espera que seja permitida a entrada em Yangun de um avião da ONU com alimentos e de quatro integrantes de uma equipe de especialistas em desastres da organização que estavam em Bangcoc à espera de autorização para viajar para a capital do país, disse Holmes.

A ONU calculou que o Governo birmanês tenha recebido cerca de 100 pedidos de visto da ONU e de organizações privadas, mas não há a certeza de que já tenham outorgado algum.

"Precisamos de pessoas com conhecimentos e experiência de trabalho neste tipo de grandes desastres", explicou Holmes.

A diplomata assegurou que a "resposta ideal seria a eliminação da obrigação de visto para entrar no país", uma proposta que faz parte das "intensas" negociações que a ONU mantém nos últimos dias com a diplomacia birmanesa.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, insistiu hoje diretamente com a Junta Militar birmanesa que facilite a chegada de voluntários e material humanitário ao país.

"O secretário-geral acredita que Mianmar atravessa um momento crítico e enfatiza a importância de proporcionar quanto mais ajuda possível nos dias posteriores ao impacto do ciclone", disse a porta-voz da ONU, Marie Okabe.

"Dada a magnitude do desastre, o secretário-geral insiste com o Governo de Mianmar que responda ao fluxo de assistência e solidariedade internacional facilitando todo o possível a chegada de voluntários e a autorização de entrada de material humanitário", afirmou.

Segundo dados da ONU, pelo menos 24 países ofereceram até agora US$ 30 milhões em ajuda humanitária a Mianmar, e o fundo de emergências do organismo internacional deve fornecer US$ 10 milhões.

A organização espera apresentar na sexta-feira uma solicitação urgente de fundos à comunidade internacional com a informação de que sua equipe de especialistas consiga entrar no país, apontou Holmes.

Apesar dos atrasos, o subsecretário-geral da ONU assegurou que os esforços do Governo birmanês e da comunidade internacional "estão bem encaminhados" e considerou que a resposta das autoridades está até agora "à altura".

"As tarefas de assistência já começaram, mas ainda não são as adequadas", admitiu.

Por isso, considerou que poderia ser contraproducente a idéia sugerida hoje pelo ministro de Exteriores francês, Bernard Kouchner, de que o Conselho de Segurança da ONU "obrigue" Mianmar a aceitar a ajuda internacional.

"Não acho que uma invasão de Mianmar seja a solução adequada", sustentou.

Ao mesmo tempo, perante os temores de que o regime militar utilize a ajuda com fins políticos, Holmes assegurou que a ONU não aceitará que haja discriminação entre os desabrigados. EFE jju/iw/db

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