ONU pode restringir acesso à COP 15 por falta de segurança

A Organização das Nações Unidas (ONU) estuda mudanças no esquema de segurança da conferência sobre mudanças climáticas da ONU em Copenhague, após uma quarta-feira marcada por incidentes dentro e fora do Bella Center, na capital dinamarquesa. A informação foi dada pelo secretário-executivo da convenção das Nações Unidas para o clima, Yvo de Boer, que afirmou estar preocupado com a integridade física dos participantes do encontro após uma série de incidentes dentro do centro, como o abandono de pacotes estranhos em vários locais.

BBC Brasil |

"Na minha experiência não acredito que haja qualquer coisa em qualquer lugar em que se tenha tanto acesso e tanta transparência quanto aqui. Mas, ao mesmo tempo, tenho que dizer que os incidentes que aconteceram testam a minha coragem para continuar assim", disse Boer.

Ele lembrou que em reuniões do G8 ou do G20, os líderes se encontram em partes isoladas da cidade e "navios de guerra rodeiam o local".

O representante máximo da ONU para mudanças climáticas disse ainda que as equipes de segurança dos chefes de Estado trarão suas próprias equipes de segurança, que por sua vez, terão de avaliar se é seguro trazê-los para um local em que "provavelmente serão confrontados por manifestantes".

'Equilíbrio desagradável'
"Vivo um imenso dilema neste momento, ao mesmo tempo orgulhoso do fato de achar que temos um dos processos mais transparentes do mundo, do fato de não achar que exista: em primeiro lugar, um encontro que atraia 45 mil pessoas; e, segundo, que deixe a sociedade civil participar, se engajar e observar."
"Mas no fim das contas, a minha responsabilidade é por sua segurança, e pela segurança de outros participantes", completou.

O diplomata classificou a decisão de rever o processo de participação da sociedade civil no encontro de "jogo de equilíbrio bastante desagradável".

Os incidentes a que de Boer se refere foram desde "flash mobs" - ou seja, reuniões instantâneas para bloquear o caminho de delegações ou atrapalhar eventos e interromper reuniões -, a pessoas subindo os palanques de salas de encontro.

Do lado de fora, nesta quarta-feira, a polícia da Dinamarca usou bombas de gás lacrimogêneo para conter centenas de manifestantes que tentavam invadir o perímetro do Bella Center, onde é realizada a conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas.

Cerca de 200 pessoas teriam sido presas, e houve enfrentamentos entre manifestantes e policiais. A situação levou a um reforço da segurança em torno do centro de convenções, e participantes foram obrigados a encarar longas filas para entrar.

A apenas três dias do fim da reunião, centenas de pessoas foram impedidas de entrar no Bella Center - a maioria era formada por representantes de organizações não-governamentais.

Renúncia
No primeiro dia com a presença oficial de chefes de Estado no encontro, a ministra dinamarquesa de Meio Ambiente e Energia, Connie Hedegaard, renunciou ao cargo de presidente da conferência das Nações Unidas para mudanças climáticas em Copenhague.

Connie Hedegaard será substituída pelo primeiro-ministro da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen.

Hedegaard vinha sendo acusada por representantes de países em desenvolvimento de querer beneficiar os países ricos nas negociações, mas afirmou que a mudança é apenas um procedimento formal, já que seria mais adequado o chefe de governo do país presidir o encontro que reunirá líderes de quase 120 países.

A lentidão das negociações é uma das principais críticas dos manifestantes, que temem que a conferência chegue ao fim sem qualquer acordo significativo sobre o combate às mudanças climáticas no planeta.

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