O diretor da nova unidade da ONU criada para enfrentar a crise alimentar, John Holmes, advertiu nesta quarta-feira para a necessidade de se evitar uma resposta precipitada ao desenvolvimento dos biocombustíveis.

"Acho que é preciso evitar uma resposta apressada", disse Holmes à imprensa no dia seguinte ao anúncio do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, da criação desta unidade, que reúne os chefes das agências das Nações Unidas, o FMI e o Banco Mundial.

"Os biocombustíveis foram desenvolvidos em resposta ao problema dos efeitos das mudanças climáticas e à necessidade de se diminuir as emissões de gás carbônico", acrescentou Holmes. "Não foram inventados apenas por prazer", explicou.

Entre as causas da crise alimentar que provocaram protestos de fome em vários países estão a queda da produção agrícola nos países em desenvolvimento, o aumento do consumo nos países emergentes, as catástrofes climáticas e o desenvolvimento de biocombustíveis.

O relator especial da ONU para o direito à alimentação, Jean Ziegler, classificou de "crime contra a Humanidade" a produção maciça de biocombustíveis.

Para Holmes, a situação é "mais complexa". "Em algumas regiões, é sensato produzir biocombustíveis, o que não é forçosamente o caso de outras", afirmou.

O Brasil, segundo maior produtor mundial de etanol a partir da cana-de-açúcar, atrás dos Estados Unidos, que produz este combustível com o milho, criticou recentemente "a hipocrisia" dos críticos dos biocombustíveis.

"Aqueles que criticam os biocombustíveis nunca questionaram os preços do petróleo. O mundo desenvolvido importa o petróleo sem impostos, e impõe um imposto absurdo ao etanol do Brasil", denunciou o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.

ama/dm

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