ONU pede que países ricos assumam responsabilidade em mudança climática

GENEBRA - Os países industrializados deveriam assumir sua responsabilidade histórica na mudança climática e liderar a luta contra este fenômeno na conferência que acontecerá em dezembro em Copenhague (Dinamarca), disse nesta quinta-feira o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

EFE |


Reuters
Ban Ki-Moon discursa em abertura de
Conferência Mundial do Clima
O diplomata afirmou ainda que cabe às nações desenvolvidas financiar e fornecer aos países emergentes as tecnologias necessárias para conter ou reverter os efeitos da alteração no clima.

Já as economias em desenvolvimento, destacou Ban, deveriam se comprometer a tomar medidas para reduzir o impacto do fenômeno sobre o planeta.

Ao fazer essas observações, o secretário-geral destacou que, até agora, não viu nenhum país expressar vontade política suficiente para fazer esta questão avançar.

Na entrevista coletiva que concedeu após seu discurso na Conferência Mundial sobre o Clima, que acontece em Genebra, Ban afirmou que não há liderança política alguma em relação ao processo para a obtenção de um novo compromisso sobre as emissões de gases causadores do efeito estufa.

"Temos recursos, tecnologias, só nos falta a vontade política neste momento tão importante", declarou.

A Conferência Mundial sobre o Clima, da qual representantes de vários países participam, termina nesta sexta. Até agora, a única decisão concreta tomada no encontro foi a criação de um sistema global para previsões meteorológicas, considerado fundamental diante do aumento de fenômenos naturais extremos relacionados ao aquecimento do planeta.

Rajendra Pachauri, presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), disse que o acordo para a implementação do novo sistema é "uma excelente prova" de que a comunidade internacional pode trabalhar em conjunto.

"As medidas de adaptação (à mudança climática) dependem da informação que obtivermos. Quanto melhor for este acordo de troca de informações, mais ele ajudará" no combate ao fenômeno, acrescentou.

O encontro em Genebra, que levou à Suíça mais de 1.500 cientistas e representantes de governos, foi o primeiro de uma série de reuniões internacionais programadas para antes da Conferência Internacional sobre a Mudança Climática, marcada para o fim do ano.

Ban reconheceu hoje que as conversas para o encontro na Dinamarca não avançam como o esperado. Segundo ele, com apenas 15 dias para o fim das negociações, o tempo está se esgotando e sobram temas cruciais a respeito dos quais ainda não há acordos.

"Muitos líderes expressaram suas posições e compromissos. Mas, por enquanto, isso não se traduziu em ações. Continuam existindo apenas palavras", ressaltou.

A esse respeito, Pachauri, um dos cientistas mais respeitados quando o assunto é mudança climática, disse que o mundo cometerá um gravíssimo erro se não aproveitar a oportunidade representada pela conferência de Copenhague.

"É a sobrevivência das espécies que estará em jogo", declarou.

Segundo Pachauri, existe o risco de um pedaço da Groenlândia ou da Antártida derreter. Se isso acontecer, o nível do mar talvez suba "vários metros", o que "não mudaria apenas a geografia deste planeta, mas causaria sofrimento a centenas de milhões de pessoas".

Num comentário revelador sobre o andamento nada positivo das negociações sobre um acordo referente à mudança climática, o ministro de Meio Ambiente da Suíça, Moritz Leunenberger, afirmou aos jornalistas que, "apesar de tudo, ainda há uma esperança" para a cúpula de Copenhague.

A esse respeito, Ban contou que numa viagem ao Ártico, de onde acaba de voltar, pôde ver como geleiras que eram "majestosas" agora estão "arruinadas", o que demonstra "a urgência do tema".

"Devemos atuar já, porque qualquer ação que tomarmos agora será bem mais barata que qualquer outra que possa vir a ser tomada no futuro", concluiu.

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