ONU pede que Estados se esforcem mais para evitar genocídios

Genebra, 8 set (EFE).- A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navanethem Pillay, pediu hoje que os Estados façam maiores esforços para evitar os genocídios, classificados por ela como a pior forma de discriminação.

EFE |

Em seu discurso na abertura da sessão do Conselho de Direitos Humanos (CDH) da ONU, a jurista sul-africana, que assumiu o cargo no último dia 1º, disse que deve se "fazer tudo o que estiver ao alcance para evitar o genocídio".

Pillay afirmou que aprendeu "como juíza do tribunal internacional para os crimes cometidos em Ruanda como um ser humano pode fazer mal a outro", e ressaltou ser algo que sempre vai acompanhá-la.

A jurista, que sentiu na própria pele a discriminação racial e de gênero na África do Sul durante o regime do apartheid, passou sete anos como juíza do Tribunal Penal Internacional para Ruanda e outros cinco do Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia, em Haia, antes de ser nomeada para seu cargo atual.

"A discriminação racial e de gênero, especialmente quando são institucionalizadas ou sistemáticas e incorporam um elemento de envolvimento do Estado, são completamente incompatíveis com a Declaração Universal dos Direitos Humanos e com a Carta da ONU", afirmou.

"Eu cresci como cidadã de segunda classe sem recurso legal", ressaltou, e insistiu na necessidade de "romper os ciclos da violência, da mobilização do medo e da exploração política das diferenças étnicas, raciais ou religiosas".

Em seu discurso, Pillay também fez insistência em que "os direitos à liberdade de expressão, associação e reunião, que são indispensáveis para o funcionamento da sociedade civil, estão sendo atacados em todas as regiões do mundo".

Além disso, se referiu especialmente à discriminação por questão de gênero que, segundo ela, "faz das promessas da declaração universal um compromisso vazio para milhões de mulheres e meninas".

O discurso de Pillay foi o primeiro desde sua nomeação para substituir a canadense Louise Arbour como alta comissária para os Direitos Humanos.

Durante esta nova sessão de três semanas do CDH, os países-membros discutirão a situação no Sudão, a crise alimentícia mundial e a situação em Gaza, entre outros assuntos, e vários relatores especiais apresentarão seus relatórios.

O CDH, inaugurado em junho de 2006, já entra em seu terceiro ano de existência sem ter conseguido eliminar as questões levantadas e a polarização política entre algumas regiões do mundo. EFE vh/fh/rr

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