ONU pede que bombas de fragmentação sejam proibidas

Por Andras Gergely DUBLIN, Irlanda (Reuters) - A Organização das Nações Unidas (ONU) pediu na segunda-feira que a comunidade internacional proíba as bombas de fragmentação, afirmando que esse tipo de munição não é confiável e mata de forma indiscriminada.

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Representantes de mais de cem países estão reunidos na capital da Irlanda, Dublin, para participar de suas semanas de negociações convocadas para finalizar um acordo debatido há vários anos.

Mas o encontro de Dublin viu-se minado pela ausência dos Estados Unidos, da China e da Rússia, países contrários à proibição.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse aos delegados que o uso, o desenvolvimento, a produção, o armazenamento e a transferência de bombas de fragmentação deveriam ser proibidos.

'Como esses armamentos são imprecisos e costumam funcionar mal, trata-se de armamentos que matam de forma indiscriminada e nos quais não se pode confiar', disse.

As bombas de fragmentação abrem-se ainda em vôo e espalham até várias centenas de 'bombinhas' por uma ampla área.

É comum que esses artefatos não consigam detonar, criando verdadeiros campos minados que podem matar ou ferir qualquer um que os atravesse.

O Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas diz que as bombas de fragmentação deixaram mais de 13 mil pessoas mortas ou feridas em todo o mundo, a grande maioria delas no Laos, no Vietnã e no Afeganistão.

O chamado processo de Oslo começou três anos atrás e baseia-se nos esforços para acabar com as minas terrestres, esforços esses que receberam o Prêmio Nobel da Paz em 1997 e que resultaram no Tratado de Ottawa, assinado em 1999 proibindo esse tipo de arma.

'Algumas vezes, é muito difícil influenciar os EUA, a China e a Rússia. Esses países que não estão aqui em Dublin', afirmou Thomas Nash, coordenador da Coalizão das Armas de Fragmentação (CMC).

'Mas, recentemente, vimos muita coisa positiva acontecendo em países que antes adotavam uma postura bastante negativa', disse.

Apesar de a maior parte dos produtores, usuários e armazenadores de bombas de fragmentação estarem ausentes do encontro de Dublin, os ativistas apontam para os casos das minas terrestres e das armas químicas e biológicas para mostrar que acordos internacionais podem influenciar mesmo os países que não os assinam.

'As pessoas deveriam prestar atenção na dinâmica que a convenção criará', afirmou Jakob Kellenberger, presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha.

Os EUA são contrários à proibição argumentando que esse tipo de bomba não atinge seus alvos de forma indiscriminada e não deveria ser mal visto se usado de forma responsável. Já outros países demandam um prazo de transição para encontrar alternativas a essa modalidade de armamento.

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