ONU pede quase US$ 164 milhões para combater cólera no Haiti

Segundo a OMS, epidemia que matou 796 deve contaminar mais 200 mil pessoas nos próximos seis ou doze meses

iG São Paulo |

A ONU fez um apelo urgente nesta sexta-feira para arrecadar US$ 163,8 milhões para o combate à epidemia de coléra no Haiti. A doença deixou 796 mortos, sendo 13 na capital Porto Príncipe, e provocou a internação de 12.303, informou nesta sexta-feira o Ministério da Saúde Pública e População do país.

"Precisamos desse dinheiro o mais rápido possível para evitar que sejamos vencidos por essa epidemia, declarada em meados de outubro", afirmou a porta-voz do Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU, Elisabeth Byrs, acrescentando que o dinheiro será usado para levar mais médicos, remédios e equipamentos de purificação de água ao país.

AFP
Haitianos com cólera são vistos em hospital de Porto Príncipe (11/11)

De acordo com o balanço do Ministério da Saúde do Haiti que vai até 10 de novembro, desde o início da epidemia, em 19 de outubro, 540 mortes aconteceram no Departamento de Artibonito (norte do país), principal foco da epidemia. Também houve 76 mortes no Departamento Norte, 61 no Plateau Central, 61 no Oeste, 57 no Noroeste e 1 no Sul. Quatro departamentos - Sudeste, Nippes, Grand Anse e Nordeste - não foram afetados pela doença.

As 13 mortes da capital foram registradas na favela de Cité Soleil e em seus arredores. Segundo as organizações internacionais, a situação é potencialmente preocupante na superpovoada Porto Príncipe, onde vivem 3 milhões de pessoas, sendo 1 milhão delas em acampamentos com condições sanitárias precárias desde o terremoto de 12 de janeiro.

A Organização Mundial de Saúde acredita que a epidemia não vai acabar rapidamente. "Esperamos registrar mais 200 mil casos nos próximos seis ou doze meses", afirmou o porta-voz Gregory Hartl.

Segundo ele, a taxa de mortalidade de 6,5% é bem mais alta do que deveria ser porque o país não tinha casos da doença há décadas. "Essas pessoas não tiveram cólera antes, por isso estão muito suscetíveis à bactéria", explicou. "Uma vez que a bactéria chega ao sistema de água, a transmissão acontece muito facilmente mesmo entre pessoas que aparentemente não têm sintomas."

Ele acrescentou que a bactéria deve permanecer no país durante anos. "Ela não irá embora", disse Hartl, acrescentando que a causa da epidemia ainda é incerta. "A origem do surto será investigada em algum momento", afirmou. "Agora, o importante é ajudar as pessoas."

* Com AP, EFE e AFP

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