Nações Unidas, 24 jun (EFE).- A ONU pediu hoje que se dê mais importância nos processos de paz ao atendimento às vítimas de agressões sexuais nos conflito armados e à perseguição dos responsáveis de usar o estupro como arma de guerra.

Esta foi uma das recomendações estipuladas em reunião de dois dias que terminou hoje na sede do organismo mundial e na qual foi abordada a relação entre violência sexual e conflitos, disse a responsável de Paz e Segurança do Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem), Anne-Marie Goetz.

A reunião organizada pela ONU tinha como objetivo analisar a implementação da resolução 1.820, adotada em 2008 pelo Conselho de Segurança, na qual se condenava o estupro como tática de guerra e se pedia que o crime fosse incluído nos processos de resolução de conflitos.

"A violência sexual foi uma característica de todos os conflitos, mas nos últimos anos houve um aumento das agressões sexuais organizadas", afirmou Goetz em coletiva.

A responsável do Unifem disse que nos cerca de 300 acordos de paz ou de cessar-fogo alcançados desde o final da Guerra Fria em 45 países diferentes, só em dez houve referência a agressões sexuais.

Os presentes à reunião da ONU também recomendaram que todos os acordos incluam a ilegalização das agressões sexuais, assim como que a perseguição deste tipo de violência seja equiparada à de outros crimes de guerra e sejam concedidas indenizações às vítimas.

O assessor especial das Nações Unidas para assuntos de pacificação, Jan Egeland, qualificou as agressões sexuais nos conflitos armados como "uma das maiores conspirações de silêncio da história".

"Nos processos de paz parece que as partes chegam ao entendimento de não tocar em assuntos que podem manchá-las por igual", afirmou o diplomata sueco, que foi um dos especialistas presentes no encontro.

Por sua parte, o general Patrick Cammaert, antigo responsável da Missão de Paz da ONU na República Democrática do Congo (MONUC), qualificou de "inaceitável" que as vítimas tenham que ver seus agressores caminhando livremente pela rua.

Por isso, insistiu em que os mandatos dos soldados que a ONU desdobra em situações de conflito devem ter incluir a prevenção e perseguição deste tipo de crimes. EFE jju/db

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.