O subsecretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) para Operações de Paz, o francês Alain Le Roy, pediu formalmente um contingente extra de 3 mil soldados para a República Democrática do Congo. Seu objetivo é proteger os civis no leste do país, onde recentes combates desalojaram cerca de 250 mil pessoas.

Le Roy disse que há, no momento, apenas dez soldados da ONU para cada 10 mil habitantes na região, e que este número é "totalmente inadequado".

Embora as operações de paz no Congo envolvam a maior força da ONU no mundo, com 17 mil soldados em todo o país, seu mandato cobre uma área do tamanho da Europa Ocidental.

"Um relatório do secretário-geral (da ONU, Ban Ki-moon) será emitido na próxima semana, para que saia uma decisão (sobre o aumento de tropas) até o fim do mês", disse Le Roy.

O próximo debate sobre a crise congolesa no Conselho de Segurança está marcado para 26 de novembro.

'Propaganda'

Mais cedo, o general rebelde Laurent Nkunda disse que formou um governo paralelo na área que controla, no leste do país, mas o correspondente da BBC, Mark Doyle, disse que esta declaração parece ser "pura propaganda".

AP
Moradores do leste do Congo esperam por alimentos da Cruz Vermelha

A mais recente crise começou com um avanço de rebeldes do sul em direção a Goma, agora cercada por acampamentos lotados de refugiados.

Mas também há uma outra frente no norte do país, em volta da cidade de Kanyabayonga, disse o correspondente da BBC em Goma, Mark Doyle.

Rumores de um ataque rebelde iminente na região parecem ter levado soldados do governo a, nas palavras de um porta-voz da ONU, "perderem o controle", saqueando civis antes de fugir em caminhões roubados.

A força da ONU tem mandato para trabalhar com o Exército regular porque, em teoria, ele representa o governo eleito na capital, Kinshasa.

Na prática, o Exército é mal treinado e desorganizado, disse Doyle, acrescentando que às vezes os militares representam seus próprios interesses.

Leia mais sobre Congo

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.