ONU pede julgamento justo para Suu Kyi

GENEBRA - Cinco relatores de Direitos Humanos das Nações Unidas solicitaram hoje à Junta Militar de Mianmar (antiga Birmânia) que garantam um julgamento justo e transparente para a líder da oposição e Prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi.

EFE |

"Até agora, o processo contra Aung San Suu Kyi foi tingido de flagrantes violações de seus direitos", disse Leandro Despouy, relator especial para a independência dos juízes e advogados, ao lembrar que a detida não teve acesso a seus advogados.

"A transparência na administração da Justiça é um requisito prévio de qualquer Estado governado pela lei e a ordem", acrescentou Despouy.

O pedido foi assinado também pelo relator especial para os Direitos Humanos em Mianmar, Tomas Ojea Quintana; a relatora especial para os Defensores dos Direitos Humanos, Margaret Sekaggya; o relator especial para o direito à liberdade de expressão, Frank La Rue, e a presidente do grupo de trabalho sobre detenções arbitrárias, Manuela Carmen Castrillo.

Os relatores lembram que, até o momento, o promotor pôde chamar 14 testemunhas, enquanto a defesa só teve direito a um.

Julgamento já dura um mês

Suu Kyi é julgada desde o mês passado por supostamente ter violado os termos da prisão domiciliar que cumpria desde 2003, um crime punido com até cinco anos de prisão.

Ela foi acusada de descumprir os termos de sua detenção quando permitiu que o americano John William Yettaw dormisse em sua casa.

Yettaw, de 53 anos, foi detido em 6 de maio após abandonar a casa da líder opositora quando retornava nadando pelo lago Inya.

O julgamento da Nobel da Paz de 1991 começou poucos dias antes do fim de sua mais recente prisão domiciliar, punição que cumpriu durante mais de 13 dos últimos 19 anos.

Governos de todo o mundo e organizações internacionais, com as Nações Unidas à frente, condenaram o processo e pediram a libertação imediata da líder opositora.

A defesa de Suu Kyi alega que sua cliente permitiu que Yettaw passasse a noite em sua casa por compaixão, porque percebeu que ele estava muito cansado após atravessar a nado o lago Inya, e por isso não conseguiria retornar.

Além disso, os defensores dizem que a culpa pela invasão é das autoridades, que são responsáveis pela segurança da casa.

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