GENEBRA - A Agência da ONU para os Refugiados Palestinos (UNRWA) fez um apelo urgente para que a comunidade internacional doe US$ 181 milhões para aliviar parte das intoleráveis condições de vida dos cerca de um milhão de refugiados palestinos que vivem na Faixa de Gaza.

"O mês sagrado do Ramadã está prestes a começar (no próximo fim de semana) e os refugiados (quase 70% da população local) vivem uma situação intolerável. A reconstrução após a ofensiva israelense de janeiro é uma ilusão", disse a porta-voz da UNRWA em Genebra, Elena Mancusi-Materi.

"Dos bilhões de dólares prometidos para a reconstrução, nem a centésima parte chegou a Gaza. A proibição total imposta por Israel à entrada de materiais de construção, exceto a uma pequena fração, impediu qualquer reconstrução, inclusive reparos modestos de casas, escolas, fábricas ou estradas", acrescentou a funcionária.

Mancusi-Materi frisou que o agravamento da situação humanitária em Gaza, onde reinam o desemprego, a falta de acesso a luz e água e as infraestruturas destruídas pelos ataques israelenses da virada do ano, tudo unido a três anos de bloqueio, fez a população depender cada vez mais da ajuda da UNRWA.

"Numa tentativa de restabelecer um padrão mínimo de dignidade para os refugiados de Gaza no mês do Ramadã, a UNRWA pede US$ 181 milhões para proporcionar alimentos, oportunidades de geração de emprego e assistência monetária para que os mais pobres possam reformar suas casas com as poucas provisões disponíveis na faixa" territorial, destacou a porta-voz.

Um dos objetivos da agência da ONU é oferecer um lanche diário composto por suco e sanduíches a todos os alunos das 221 escolas que a UNRWA administra em Gaza.

A porta-voz disse que até doações de alimentos ou dinheiro para que os refugiados possam comprar comida durante o Ramadã são bem-vindas.

Até o momento, a maior contribuição recebida pela UNRWA para os refugiados palestinos foi feita pelo Kuwait, que doou US$ 34 milhões.

"Uma resposta generosa ao nosso apelo poderá aliviar imediatamente o aumento da desesperança enfrentada pelos refugiados a poucos dias do Ramadã. Mas esta situação só poderá ser revertida definitivamente com a suspensão do bloqueio a Gaza, a abertura das fronteiras e livre circulação de pessoas", acrescentou Mancusi-Materi.

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