EUA e outras potências nucleares participam pela primeira vez de homenagem às vítimas do ataque nuclear

Lanternas de papel flutuam no Rio Motoyasu em frente do Domo da Bomba Atômica em Hiroshima para marcar o 65º aniversário da explosão da bomba nuclear
AFP
Lanternas de papel flutuam no Rio Motoyasu em frente do Domo da Bomba Atômica em Hiroshima para marcar o 65º aniversário da explosão da bomba nuclear
Na cerimônia que relembrou os 65 anos do bombardeio da cidade japonesa de Hiroshima , o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, defendeu nesta sexta-feira para o desarmamento nuclear mundial e a não-proliferação. Além do secretário-geral da ONU, a cerimônia realizada no Memorial da Paz de Hiroshima também teve pela primeira vez a participação de uma autoridade dos EUA .

"Juntos, estamos a caminho de um mundo livre de armas atômicas. Esse é o único caminho para um mundo mais seguro. Enquanto houver bombas nucleares, viveremos sob uma sombra nucleares", afirmou.

O secretário-geral da ONU também reiterou seu compromisso com a abolição das armas atômicas e mostrou sua esperança de poder celebrar em 2020 a existência de um mundo sem ameaças atômicas.

Ban, que na quinta-feira visitou Nagasaki, propôs fixar 2012 como o ano de entrada em vigor do Tratado para a Proibição de Testes Nucleares (CTBT), assinado em 1996, mas que segue à espera da ratificação de 44 nações, entre elas EUA e China.

Além do embaixador dos EUA no Japão, John Ross, participaram da cerimônia, também pela primeira vez, representantes da Grã-Bretanha e França - aliados na Segunda Guerra Mundial e atualmente potências nucleares - com diplomatas de outros 70 países.

Às 8h15 locais (20h15 de quinta-feira em Brasília), exatamente a mesma hora em que o avião americano "Enola Gay" lançou a bomba atômica em 1945, as estimadas 55 mil pessoas reunidas no Parque da Paz de Hiroshima fizeram silêncio.

O parque ocupa a esplanada deixada pela detonação da bomba de urânio "Little Boy" , que arrasou Hiroshima, uma cidade que contava então com cerca de 350 mil habitantes, segundo cálculos atuais.

Cerca de 80 mil pessoas morreram na hora e, no fim de 1945, o número de mortes já chegava a 140 mil. Muitas outras pessoas faleceram em decorrência das radiações nos anos posteriores.

Três dias depois do ataque, os EUA lançaram a segunda bomba nuclear sobre a cidade de Nagasaki, causando 74 mil mortes até o final daquele ano, levando o Japão à rendição e colocando fim à Segunda Guerra Mundial .

Na cerimônia que marcou os 65 anos da tragédia, o prefeito de Hiroshima, Tadatoshi Akiba, pediu para o Japão abandonar o "guarda-chuva nuclear" dos EUA, país que após a Segunda Guerra Mundial se tornou seu principal aliado de segurança.

nullPerante um público que incluía o primeiro-ministro do Japão, Naoto Kan, Akiba prestou homenagem aos mortos e aos "hibakusha", como são conhecidos os sobreviventes do desastre atômico, que, "sem entender a razão, viram-se envolvidos em um inferno além de seus piores pesadelos".

O pedido do prefeito teve pronta resposta do primeiro-ministro do Japão, que após a cerimônia afirmou que a proteção nuclear dos EUA "continua sendo necessária" para o Japão, embora ao mesmo tempo tenha assegurado que o país tem a responsabilidade moral de liderar a luta contra as armas atômicas.

Kan e Akiba agradeceram a presença oficial na cidade de representantes de EUA, Grã-Bretanha e França, potências nucleares que nunca antes tinham enviado representantes ao aniversário do bombardeio.

O embaixador americano compareceu "para expressar respeito por todas as vítimas da Segunda Guerra Mundial", segundo comunicado da legação diplomática em Tóquio, que destacou que os EUA e o Japão "compartilham o objetivo comum de avançar na visão do presidente Obama de conseguir um mundo sem armas nucleares".

A ampla presença internacional este ano em Hiroshima e, especialmente, a participação do embaixador dos EUA tinha levantado grandes expectativas na cidade, que esperava alguma indicação sobre uma visita de Barack Obama em novembro.

No entanto, um porta-voz da Casa Branca afirmou nesta sexta-feira que, por enquanto, uma visita à cidade que os EUA arrasaram em 1945 não está nos planos do presidente americano.

*Com EFE

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