ONU pede desarmamento nuclear, em memória a Hiroshima

Genebra, 6 ago (EFE).- A Conferência sobre Desarmamento, o fórum multilateral de negociações para segurança internacional ligado às Nações Unidas, destacou hoje a importância do desarmamento nuclear, em ocasião do 64º aniversário do bombardeio atômico sobre a cidade a japonesa de Hiroshima.

EFE |

"O aniversário convida a refletir sobre a destruição e a devastação das armas nucleares e sobre a vital importância para a Conferência de retomar seu trabalho sobre desarmamento nuclear", disse hoje a presidente da Conferência, Caroline Millar.

Em seu discurso, o delegado do Japão, Akio Suda, declarou que "este dia, assim como o dia 9 de agosto, pelos bombardeios de Nagasaki, é uma oportunidade para lembrar estas tragédias e trabalhar com força renovada por um mundo sem armas nucleares".

"O arsenal mundial conta com aproximadamente 26 mil armas nucleares, milhares das quais ainda estão em estado de alta alerta", lembrou o delegado da Alemanha, Hellmut Hoffmann.

Por outra parte, 20 pessoas se manifestaram hoje em frente ao Palacio da ONU, em memória aos dois bombardeios atômicos lançados pela Força Aérea americana.

"A cada ano, é mais importante que nos manifestemos, porque os jovens só têm uma vaga ideia do que aconteceu então e cada vez há menos vítimas para dar seu testemunho", disse o secretário-geral do Escritório Internacional da Paz (IPB, na sigla em inglês), Colin Archer, em declarações à Agência Efe.

Além disso, o porta-voz explicou que, "hoje em dia, há muito mais perigos que então. Não basta dizer que se estão tomando as medidas necessárias de segurança. Em qualquer momento pode haver um acidente".

Sobre isso, acrescentou que "também não é suficiente dizer que não vão usar as armas, já que, como as coisas estão, poderiam terminar recorrendo a elas para competir por petróleo, água ou minerais".

"O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que apoiava a total eliminação das bombas nucleares, mas que não achava que ocorreria tão cedo e que ele não estaria vivo para ver isso acontecer. A pressão da sociedade civil pode conseguir que o assunto entre na agenda política e permita os dirigentes a atuarem", disse Archer.

O lançamento da bomba atômica, no dia 6 de agosto de 1945, sobre a cidade japonesa de Hiroshima, deixou cerca de 140 mil mortos, um número que subiu até superar atualmente os 258.300 falecidos pelas sequelas causadas pela radiação.

Segundo dados do Ministério da Saúde japonês, cerca de 235.569 pessoas são sobreviventes das bombas atômicas de Hiroshima e das lançadas três dias depois sobre Nagasaki. EFE mrm/pd

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