ONU pede ajuda urgente para o Quirguistão

Preocupação maior da Organização Mundial da Saúde (OMS) é atender as necessidades das mulheres vítimas de violência sexual

AFP |

As Nações Unidas fizeram um apelo humanitário urgente para ajudar as milhares de pessoas afetadas pelos confrontos interétnicos no sul do Quirguistão.

Na última sexta-feira, a presidente interina do Quirguistão, Rosa Otunbayeva, reconheceu que os confrontos étnicos deixaram quase dois mil mortos - dez vezes o balanço atual -, durante visita ao sul do país, onde a ONU estima que haja até um milhão de afetados .

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu na sexta-feira um fundo de urgência de US$ 71 milhões para ajuda humanitária e anunciou que fará na próxima semana um apelo em separado para o vizinho Usbequistão, para onde milhares de pessoas fugiram da violência.

O Programa Mundial de Alimentos da ONU anunciou neste sábado que a partir de domingo organizará uma ponte aérea a partir de Dubai para transportar ajuda alimentar para os dois países.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) calcula que os choques afetaram direta ou indiretamente cerca de um milhão de pessoas nessa ex-república soviéitca da Ásia Central, onde a Rússia tem uma base militar e os Estados Unidos, uma aérea, considerada chave para abastecer suas tropas no Afeganistão.

Estes números - 300 mil refugiados que se viram forçados a cruzar a fronteira com o Usbequistão e outros 700 mil deslocados internos - constitui "o pior panorama", confessou Giuseppe Annunziata, coordenador do programa de ajuda de emergência da OMS.

Otunbayeva, por sua vez, negou que o governo provisório seja incapaz de deter a violência e administrar a crise humanitária. Mas, à noite declarou que as tropas russas protegeriam instalações energéticas do país, sem detalhar quais.

O Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas pediu ao governo quirguiz provisório uma "investigação exaustiva e transparente" sobre o ocorrido e duas ONGs, a International Crisis Group (ICG) e a Human Rights Watch, dizem ter escrito ao Conselho de Segurança da ONU para pedir "medidas imediatas" para resolver esta situação.

Conflito étnico

Arte/iG
Mapa mostra localização do Quirguistão
O Quirguistão, uma ex-república soviética de maioria muçulmana que abriga bases militares dos Estados Unidos e Rússia, está envolvido no caos desde que um confronto em abril depôs o presidente deste país da Ásia Central dividido etnicamente, levando ao poder um governo interino.

Com uma superfície de quase 200 mil quilômetros quadrados, o país tem uma população de 5,3 milhões de habitantes, dos quais cerca de 14% são usbeques, que residem principalmente no sudoeste do país, região atingida pela onda de violência.

Os enfrentamentos de origem étnica entre usbeques e quirguizes se intensificaram em 10 de junho, na maior onda de violência vivida no país em 20 anos. A violência diminuiu nos últimos dias, mas se espera que um referendo constitucional programado para a próxima semana reacenda as tensões.

A Rússia e o Ocidente temem que a violência acabe provocando um vazio de poder, que milícias islâmicas e grupos de crime organizado poderiam aproveitar para atuar.

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